Combates entre milícia e forças do Iraque matam mais de 50

quarta-feira, 26 de março de 2008 07:43 BRT
 

Por Aref Mohammed

BASRA, Iraque (Reuters) - Militantes leais ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr entraram em confronto com forças de segurança do Iraque em Basra e Bagdá pelo segundo dia seguido na quarta-feira, deixando mais de 50 mortos e ferindo centenas de pessoas. Os combates entre forças do governo e seguidores de Sadr se espalharam para outras cidades do sul do Iraque, onde o clérigo tem forte influência, com o fim do cessar-fogo imposto por ele em agosto ao seu Exército Mehdi.

Autoridades norte-americanas afirmam que o cessar-fogo foi um importante fator na redução da violência nos últimos meses no Iraque, onde militantes xiitas tentam controlar algumas cidades, como Basra, que é rica em petróleo.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, que viajou a Basra para supervisionar a operação militar de imposição do controle governamental à cidade, disse que os combatentes serão poupados caso rendam-se em 72 horas. Sadr ameaçou uma "revolta civil" em âmbito nacional caso os ataques à sua milícia continuem.

Os combates mais sangrentos ocorreram em Basra, onde uma autoridade do setor de saúde disse que 40 pessoas foram mortas e 200 feridas.

Na capital Bagdá, uma outra autoridade de saúde disse que 14 pessoas morreram e outras 140 ficaram feridas em combates em Sadr City, favela que leva o nome do clérigo xiita.

Três cidadãos norte-americanos que trabalham para o governo dos EUA em Bagdá ficaram gravemente feridos em um ataque com morteiro na Zona Verde, complexo governamental e diplomático na capital iraquiana, informou uma porta-voz da embaixada norte-americana.

A polícia disse que combatentes leais a Sadr tomaram o controle de sete distritos na cidade de Kut, no sul do país. Uma testemunha da Reuters disse ter ouvido o som de combates próximos a um prédio do governo no centro da cidade.

A repressão à milícia de Sadr é a maior operação já conduzida somente por militares iraquianos, sem a ajuda de forças norte-americanas ou britânicas. Trata-se de um importante teste num momento em que Washington pretende trazer de volta 20 mil soldados que servem no Iraque e que as forças britânicas deixaram de atuar militarmente no sul do país, prioritariamente xiita, no ano passado.

(Reportagem adicional de Waleed Ibrahim, Aseel Kami, Ahmed Rasheed e Peter Graff em Bagdá)