Nervosismo externo faz Bovespa zerar ganhos de 2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008 20:07 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O recrudescimento do pessimismo com a economia mundial e uma torrente de notícias corporativas decepcionantes contaminaram os negócios da Bolsa de Valores de São Paulo, que praticamente zerou os ganhos acumulados em 2008.

Pressionado pela queda de 62 das 66 ações que compõem o índice, o Ibovespa caiu 2,89 por cento, aos 63.946 pontos. É o menor nível desde 29 de abril. O giro financeiro somou 6,7 bilhões de reais.

O movimento refletiu números desoladores de bolsas globais que há muito não se via. Na Europa, o principal índice das bolsas da região caiu ao menor patamar desde 2005. O Nasdaq teve a maior queda diária desde janeiro. E o Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu mais de 3 por cento, para o menor nível em 21 meses.

"Foi a reação a uma combinação de notícias ruins da economia e de empresas", disse Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner.

O pessimismo já imperava desde a manhã nos mercados europeus, que reagiram a comentários feitos na quarta-feira à noite pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, de que uma alta do juro na região deve ocorrer em breve.

O humor dos investidores azedou de vez quando o banco Goldman Sachs divulgou um relatório prevendo novas baixas contábeis do Citi e do Merrill Lynch relacionadas à crise de crédito nos Estados Unidos. Por sua vez, o Wachovia cortou as previsões de ganhos do Goldman Sachs.

A fabricante de produtos esportivos Nike apresentou previsões de resultados que desagradaram os investidores. E o banco belga-holandês Fortis anunciou redução nos dividendos e uma emissão de ações para garantir sua solvência.

Para completar o quadro desanimador, o dólar voltou a cair, patrocinando uma escalada do petróleo para o recorde de 140 dólares o barril.   Continuação...