JURO-Cautela global ofusca melhora da inflação e eleva taxas

quarta-feira, 26 de março de 2008 16:27 BRT
 

SÃO PAULO, 26 de março (Reuters) - A volatilidade internacional empurrou para cima a maioria das projeções de juros nesta quarta-feira, mesmo com a desaceleração da inflação.

O avanço de 0,23 por cento do IPCA-15 de março ficou abaixo das previsões e marcou o segundo mês consecutivo de queda do índice. Em fevereiro, a alta havia sido de 0,64 por cento.

O arrefecimento foi visto como um argumento contra a elevação da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para abril, e permitiu que as projeções mais curtas cedessem ligeiramente.

As demais projeções, no entanto, foram impulsionadas pelo pessimismo nos mercados internacionais. Em Wall Street, as principais bolsas de valores caíam cerca de 1 por cento no meio da tarde, e o risco Brasil 11EMJ subia 5 pontos-básicos.

Entre os motivos para o mau humor estavam a queda das encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos --mais um sinal de fraqueza da economia.

"O cenário lá fora ainda está longe de se firmar. A cautela está prevalecendo mesmo", disse Rodrigo Ferreira, operador do Banco Alfa de Investimento. "Os investidores estão com pouco apetite por risco, mesmo com um prêmio considerado por todos um pouco exagerado", acrescentou.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009, que teve o maior giro, subiu de 12,20 para 12,23 por cento ao ano na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O DI janeiro de 2010 avançou de 13,23 para 13,25 por cento.

O Banco Central fez duas operações no mercado aberto. Na primeira, foram recolhidos 19,904 bilhões de reais dos bancos até 17 de abril, com remuneração de 11,20 por cento ao ano. Depois, o BC tomou 11,807 bilhões de reais, por 1 dia, a 11,19 por cento ao ano.

(Por Silvio Cascione; Edição de Daniela Machado)