ATUALIZA-Agnelli nega problemas com China e não crê em boicote

sexta-feira, 26 de setembro de 2008 13:46 BRT
 

(Texto atualizado com mais informações e declarações)

Por Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO, 26 de setembro (Reuters) - O presidente-executivo da Vale (VALE5.SA: Cotações), Roger Agnelli, negou nesta sexta-feira problemas no comércio de minério de ferro com a China, afirmando que o fluxo da commodity segue normal, assim como as compras dos chineses.

A mídia chinesa veiculou nos últimos dias, e novamente nesta sexta-feira [ID:nN26272769], notícias de que algumas grandes siderúrgicas do país substituiriam o minério brasileiro por outras origens devido ao aumento do preço pedido pela Vale, que ficaria, segundo Agnelli, em torno de 11 por cento.

"Isso tudo é oba-oba. O maior 'market share' da China é a Vale. Se parar a exportação, a siderurgia chinesa pára", afirmou Agnelli a jornalistas, acrescentando que as negociações para o aumento adicional prosseguem.

Tradicionalmente as mineradoras fecham contratos anuais que estabelecem os preços do minério de ferro para todo o ano, os chamados contratos de longo prazo. Geralmente as empresas seguem os acordos fechados pelas concorrentes no início do ano.

Neste ano, no entanto, essa tradição foi quebrada, depois que as anglo-australianas BHP e Rio Tinto decidiram não seguir o aumento de 65 a 71 por cento obtido pela Vale. Elas pediram mais aos chineses, alegando que gastam menos para transportar o minério produzido na Austrália, e conseguiram.

Com a brusca queda nos fretes a partir da metade do ano, no entanto, a Vale decidiu buscar novo aumento fora da época normal de negociação. Agnelli afirma que a redução nos gastos com transporte compensaria a alta no preço do minério.   Continuação...