September 26, 2008 / 4:51 PM / in 9 years

ATUALIZA-Agnelli nega problemas com China e não crê em boicote

4 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com mais informações e declarações)

Por Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO, 26 de setembro (Reuters) - O presidente-executivo da Vale (VALE5.SA), Roger Agnelli, negou nesta sexta-feira problemas no comércio de minério de ferro com a China, afirmando que o fluxo da commodity segue normal, assim como as compras dos chineses.

A mídia chinesa veiculou nos últimos dias, e novamente nesta sexta-feira [ID:nN26272769], notícias de que algumas grandes siderúrgicas do país substituiriam o minério brasileiro por outras origens devido ao aumento do preço pedido pela Vale, que ficaria, segundo Agnelli, em torno de 11 por cento.

"Isso tudo é oba-oba. O maior 'market share' da China é a Vale. Se parar a exportação, a siderurgia chinesa pára", afirmou Agnelli a jornalistas, acrescentando que as negociações para o aumento adicional prosseguem.

Tradicionalmente as mineradoras fecham contratos anuais que estabelecem os preços do minério de ferro para todo o ano, os chamados contratos de longo prazo. Geralmente as empresas seguem os acordos fechados pelas concorrentes no início do ano.

Neste ano, no entanto, essa tradição foi quebrada, depois que as anglo-australianas BHP e Rio Tinto decidiram não seguir o aumento de 65 a 71 por cento obtido pela Vale. Elas pediram mais aos chineses, alegando que gastam menos para transportar o minério produzido na Austrália, e conseguiram.

Com a brusca queda nos fretes a partir da metade do ano, no entanto, a Vale decidiu buscar novo aumento fora da época normal de negociação. Agnelli afirma que a redução nos gastos com transporte compensaria a alta no preço do minério.

"Na prática, o chinês não vai ter aumento. A queda no preço do frete compensa qualquer movimento da Vale... O chinês está gritando e chorando, mas não perde nada. O preço é igual".

O executivo acrescentou que até o momento a empresa não recebeu nenhum comunicado formal de alguma companhia chinesa sobre interrupção no relacionamento comercial.

Notícias na mídia chinesa diziam também que a Vale estaria retardando embarques de minério para a China, para pressionar pelo aumento. Agnelli respondeu de forma irônica a questionamento sobre isso. "Temos zero tonelada de minério nos nossos portos. O que você acha?".

Crise E Demanda

Sobre a crise financeira e o eventual impacto nas empresas brasileiras, Agnelli afirmou que os reflexos podem durar algum tempo, mas que os problemas são contornáveis. Ele afirmou que a empresa está sólida após recentes captações.

"Está capitalizada, com projetos em desenvolvimento, mercados bons, e custos bem... Nada mudou em termos de estratégia e visão. Nossa visão é de longo prazo, com crescimento preferencialmente orgânico", disse.

"Vai ter uma solução (para a crise). Nunca vi uma tragédia pré-anunciada. A expectativa é de que as coisas se acertem. No lado real, é tirar o excesso de espuma do chopp", disse ele, acrescentando que a economia mundial passava por um desequilíbrio pela forte demanda de vários países por produtos primários.

Agnelli informou que a empresa continua operando no limite da capacidade de produção e que não há sinais de enfraquecimento da demanda.

Edição de Marcelo Teixeira

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