Juro das operações de crédito avança em janeiro

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 18:10 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O juro médio e o spread bancário nas operações de crédito avançaram em janeiro ante dezembro, mostraram dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira.

O volume total de empréstimos no Brasil cresceu 0,9 por cento na comparação mês a mês, para 944,2 bilhões de reais no final de janeiro. A participação dessas operações no PIB ficou estável em 34,8 por cento frente ao encerramento de 2007, mas subiu em relação aos 30,7 por cento registrados há um ano.

Considerando apenas os recursos livres, os empréstimos aumentaram também 0,9 por cento no mês e 33,2 por cento em doze meses, para 667,9 bilhões de reais.

A taxa média de juros avançou para 37,3 por cento ao ano, aumento mensal de 3,5 pontos percentuais. O spread bancário --diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes-- subiu 3,4 pontos percentuais, para 25,7 pontos.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) avalia que os dados são uma "evidência de que a crise internacional começa a ter impacto sobre o mercado de crédito doméstico".

"A elevação dos spreads pode ser considerada a primeira reação dos bancos ao contexto de maior incerteza no cenário externo e, não parece haver dúvidas, foi muito exagerada, posto que o aumento foi muito pronunciado em apenas um mês."

O Iedi destacou que, até o momento, os efeitos da crise se restringiram ao custo dos financiamentos, sendo que o volume de crédito seguiu em alta.

"A disposição dos bancos de sustentar, pelo menos por enquanto, a oferta de recursos para as famílias e empresas certamente está associada à evolução bem comportada da taxa de inadimplência e sinaliza perspectivas positivas em relação ao desempenho do mercado interno este ano", acrescentou o instituto.

Segundo o BC, "a evolução das operações de crédito do sistema financeiro, em janeiro, mostrou-se compatível com os aspectos sazonais do período".

No caso das empresas, o arrefecimento da demanda por empréstimos refletiu a "desaceleração dos negócios após o expressivo crescimento observado nos últimos meses de 2007".

"No segmento de pessoas físicas, as contratações mantiveram tendência de crescimento, condicionado pela concentração de compromissos financeiros nesse período e pela procura crescente por financiamentos para aquisição de veículos", acrescentou o BC.