27 de Outubro de 2008 / às 16:48 / 9 anos atrás

ATUALIZA2-Mantega: economia pode absorver perdas com câmbio

(Texto atualizado com mais comentários do ministro)

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 27 de outubro (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta segunda-feira que a economia mundial caminha para a recessão, mas ressaltou que o governo brasileiro está tomando medidas para conter o impacto no país. Ele também afirmou que o prejuízo de empresas com derivativos de câmbio, estimadas em 20 bilhões de dólares, é "perfeitamente absorvível" pela economia brasileira.

Mantega ressaltou que o governo "não vai salvar nenhuma empresa" de perdas com operações no mercado financeiro, mas ponderou que irá garantir crédito a essas companhias.

"As empresas que ousaram no mercado futuro (de câmbio) têm que pagar o preço de sua ousadia e não será o governo que vai cobrir isso. Agora, o governo tem obrigação de dar crédito e liquidez a valores de mercado", disse Mantega a jornalistas após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em São Paulo.

Na sexta-feira, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que o banco de fomento iria ajudar empresas que tiveram problemas com derivativos cambiais.

O ministro citou as três empresas que, segundo ele, tiveram os maiores prejuízos com as operações de derivativos --Aracruz ARCZ6.SA, Votorantim e Sadia SDIA4.SA-- e relatou que a Aracruz deve equacionar o problema nos próximos dias.

Para Mantega, o rombo com essas operações tem valor moderado, estimado em 20 bilhões de dólares, e poderá ser absorvido pela economia brasileira "perfeitamente".

O ministro acrescentou que as medidas que o Banco Central vem tomando nas últimas semanas estão servindo para recompor o crédito, mas lembrou que algumas não têm impacto imediato.

"É quase certo que haverá uma retração na atividade econômica (mundial) e até mesmo uma recessão", disse.

"O impacto aqui no Brasil continua o mesmo. Temos uma escassez de crédito para operações de ACC (Adiantamentos de Contratos de Câmbio). Estamos preocupados também com a irrigação de crédito no setor agrícola, que precisa de recursos nesta época do ano. Estamos ativando linhas para isso", acrescentou, referindo-se a medidas já anunciadas.

Ele mostrou preocupação também com o capital de giro para pequenas e médias empresas e para a indústria automobilística. Depois da reunião com os ministros, Lula encontrou-se com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider. A Presidência não divulgou informações sobre a reunião.

Com a redução do depósito compulsório, estaria havendo, segundo o ministro, uma liberação de 50 bilhões de reais na economia. "Algumas medidas demoram um pouco porque é a primeira vez que nós estamos tomando, medidas que havia muito tempo não se fazia, e tivemos que aperfeiçoar os instrumentos."

CONTÁGIO PSICOLÓGICO

Mantega disse ainda que parte do impacto da crise financeira mundial no Brasil é psicológico e que o consumidor não pode ter medo de ir às compras.

Dando um exemplo pessoal, Mantega afirmou que está comprando um imóvel que será pago em 8 ou 10 parcelas. Mas a operação será feita diretamente com o proprietário e não por intermédio de um banco.

"Eu estou comprando um imóvel. Nós devemos procurar ter uma vida normal. Se todo mundo ficar preocupado e ficar com medo, aí é que vai criar um problema econômico, porque as pessoas vão deixar de consumir e vão reduzir o nível de atividade."

Edição de Renato Andrade e Vanessa Stelzer

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