Disputa pelo comando do Congresso é novo round político de Lula

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 19:02 BRST
 

BRASÍLIA, 27 de outubro (Reuters) - Passadas as eleições municipais, o novo desafio político que se projeta diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é resolver a disputa pelo comando do Congresso, que envolve os dois maiores partidos de sua base de apoio: PT e PMDB.

Fortalecido nas urnas e tradicionalmente rachado entre suas diferentes lideranças, o PMDB ameaça disputar a presidência do Senado, contrariando a vontade de Lula. O tensionamento, em último caso, poderia jogar a legenda para o lado da oposição.

O governo quer evitar um racha na base, sobretudo com o prenúncio da crise financeira impactar mais o Brasil, mas insiste no nome do senador Tião Viana (PT-AC) para assumir a vaga.

O nome do petista, no entanto, encontra resistências entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), aliados do Planalto, mas que costumam dar dor de cabeça ao Executivo nos momentos em que este mais precisa.

"Se o PMDB lançar um nome e o PT outro, apoiaremos o PMDB", disse o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.

Uma disputa entre os dois maiores partidos da base no Senado desorganiza, também, a vida do governo na Câmara.

Há dois anos, PT e PMDB selaram um acordo de alternância. Pelo trato, o PMDB apoiaria a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara e o PT, em 2009, apoiaria Michel Temer (PMDB-SP), presidente do partido e adversário interno de Sarney e Renan.

Para não ser pego de surpresa, Temer já procurou o PSDB, e acredita poder contar com a ajuda do partido oposicionista caso o PT lhe falte.

"Temos com o presidente Temer uma relação de muita aproximação", acrescentou Sérgio Guerra.   Continuação...