Aperto de crédito no Brasil deve se resolver em até 3 meses--GM

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 18:48 BRST
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 27 de outubro (Reuters) - A situação de crédito mais escasso no Brasil, um efeito da crise financeira global, deve ser superada em um período de dois a três meses, previu nesta segunda-feira o presidente da General Motors no país e para o Mercosul, Jaime Ardila.

O executivo trabalha com um cenário de alta das vendas da indústria automotiva na casa dos cinco por cento em 2009, após patamar entre 2,9 milhões e 3 milhões de veículos este ano, o que é mais de 20 por cento acima do verificado em 2007.

"Vamos esquecer a palavra crise, por favor. Este é o melhor ano da história da indústria automobilística do Brasil. Algum impacto sobre o Brasil haverá, mas o país está tomando todas as medidas para que o impacto seja mínimo e estou confiante que não teremos recessão no Brasil", disse Ardila a jornalistas durante o 25o Salão do Automóvel.

"Eu tenho confiança que a situação de crédito fique normalizada nos próximos dois a três meses", acrescentou.

O executivo afirmou que entende por normalização do crédito o problema da disponibilidade de recursos para o financiamento das vendas. Atualmente, cerca de 60 por cento das vendas de veículos no Brasil são parceladas.

"Precisamos normalizar nos próximos dois a três meses a disponibilidade do crédito. Ele vai ficar um pouco mais caro, mas o cliente entende isso", afirmou Ardila, acrescentando que o banco da montadora aumentou significativamente sua participação nas vendas financiadas dos veículos da GM em outubro. Ele não forneceu detalhes sobre a expansão da participação.

Segundo o executivo, a unidade da empresa no Brasil continua mantendo os níveis de envio de lucros para a matriz, não tendo havido um aumento nas remessas por conta das dificuldades que a GM enfrenta nos Estados Unidos. A companhia teve prejuízo de 51 bilhões de dólares ao longo dos últimos três anos.

A unidade brasileira da GM está passando por um período de readequação de estoques, o que exigiu da empresa impor férias coletivas entre o final de outubro e início de novembro em três fábricas por conta de queda nos volumes de exportações para México, Venezuela, Argentina e África do Sul.   Continuação...