27 de Março de 2008 / às 12:29 / 9 anos atrás

BC vê IPCA acima da meta central e cita demanda forte

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação brasileira deve superar ligeiramente o centro da meta neste ano, previu o Banco Central no Relatório de Inflação do primeiro trimestre, que ressaltou preocupações com o descompasso entre demanda e oferta.

Para analistas, o documento divulgado nesta quinta-feira reitera a visão de que o BC está inclinado a elevar a taxa básica de juros, mas ainda não há consenso sobre quando o aperto monetário começaria.

O prognóstico para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008 passou para 4,6 por cento, ante estimativa anterior de 4,3 por cento.

O número supera o centro da meta de inflação perseguido pelo governo, de 4,5 por cento. A meta tem tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O BC notou que a aceleração da inflação no começo deste ano deveu-se sobretudo a pressões sazonais, como as vindas de educação e alimentos in natura, mas ressaltou preocupações sobre os movimentos futuros dos preços.

"As elevações nos índices de difusão, nas diferentes medidas de núcleos e nos indicadores dos preços por atacado de produtos industriais sugerem movimento mais disseminado, ao menos em parte decorrente de pressões de demanda, nas altas de preços", apontou o relatório.

"O persistente descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e da oferta, ratificado pelas Contas Nacionais, e que pode estar se intensificando, apresenta risco relevante para o panorama inflacionário."

Para Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, o mais preocupante é o tom adotado pelo BC sobre a atividade. "Se não vai (desacelerar) e se ele coloca como condição a ser observada o descasamento entre oferta e demanda, isso eleva a possibilidade de ter que elevar o juro", disse.

O economista acredita que a alta da Selic venha já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para 15 e 16 de abril.

CRESCIMENTO

Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, acha que o aumento do juro básico deve ficar para os meses seguintes.

"Continuo achando que o aumento não vem em abril porque, apesar da alta da previsão, as expectativas de inflação continuam ancoradas com a meta, a inflação corrente está em desaceleração e o cenário externo ainda é incerto. Ainda é o caso de aguardar até junho", afirmou Neto.

"Não vejo alta agora, mas a gente tem que reconhecer que o BC está propenso (a aumentar juro)."

Segundo o BC, a inflação deve desacelerar ligeiramente no ano que vem, para 4,4 por cento. Essa estimativa também foi revista em relação ao relatório anterior, de 4,2 por cento.

As previsões do BC são baseadas em um cenário de referência que estima dólar a 1,70 real e Selic a 11,25 por cento ao ano. Os números esperados pelo BC estão acima dos do mercado.

O BC projeta que a economia do país cresça 4,8 por cento neste ano, taxa revisada para cima em relação à previsão anterior de 4,5 por cento.

"(Essa expansão prevista é) consistente com os resultados divulgados para 2007, especialmente no que se refere ao comportamento da economia no último trimestre do ano, e com as perspectivas, fundamentadas na evolução recente de indicadores antecedentes e coincidentes, quanto à continuidade do ciclo de crescimento da economia no decorrer do ano", disse o BC.

Entre os componentes do Produto Interno Bruto (PIB), o prognóstico para a expansão da agropecuária é de 4,9 por cento. Para a indústria, a estimativa é de alta de 5,2 por cento --com destaque para a força do setor extrativo-- e para o segmento de serviços é de avanço de 4,4 por cento.

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