Lupi ignora comissão de ética e não pretende deixar ministério

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 18:32 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, sinalizou que não pretende deixar o governo apesar da Comissão de Ética Pública ter considerado incompatível o acúmulo do cargo de ministro de Estado com o de presidente do PDT.

"(A posição da comissão) é absurda, antidemocrática e preconceituosa, além de discriminatória contra o PDT. No Brasil todo, só existe Carlos Lupi como dirigente partidário?", disse o ministro a jornalistas, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

"Estou sendo vítima de um linchamento público por cometer o crime de ser presidente de um partido", acrescentou.

Lupi ponderou que não é o único servidor público ligado a um partido político no país. "A decisão da comissão só vale para a minha pessoa. Só eu estou ferindo a ética", insistiu o ministro e presidente do PDT.

A Comissão de Ética Pública recomendou essa semana a demissão do ministro caso ele não se desligue da presidência do PDT. Segundo a comissão, o acúmulo de funções cria conflito de interesses.

Lupi considera que está sendo perseguido pelo presidente do Conselho, o ex-ministro da Fazenda, Marcílio Marques Moreira.

"Que interesses podem existir por trás desta movimentação do conselheiro Marcílio? ... Ele está querendo assumir a função de nomear e demitir ministros de Estado. E os outros dirigentes de partidos, por que nunca foram questionados?", indagou Lupi.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Mair Pena Neto)