27 de Dezembro de 2007 / às 11:02 / 10 anos atrás

BC eleva projeções de inflação e crescimento

Por Renato Andrade e Isabel Versiani

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central revisou para cima suas estimativas de inflação para 2007 e 2008 e reforçou, em relatório divulgado nesta quinta-feira, o aumento generalizado dos riscos ao comportamento dos preços.

De acordo com o Relatório de Inflação do quarto trimestre, o BC estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano com alta de 4,3 por cento, mesma variação esperada para o fechamento de 2008.

A meta de inflação fixada pelo governo para 2007, 2008 e 2009 é de 4,5 por cento, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

As estimativas estão acima das projeções do relatório do terceiro trimestre, divulgado em setembro, quando a autoridade monetária calculava uma alta de 4 por cento para o IPCA em 2007 e de 4,2 por cento para 2008.

“O cenário marcadamente benigno para os preços ao consumidor, que se materializou com intensidade no ano passado, arrefeceu em 2007”, afirmou o BC no documento.

O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, destacou como principais riscos à inflação as evidências mais generalizadas de um “aquecimento substancial” da economia doméstica e as incertezas com relação ao setor externo.

Mesquita também chamou atenção para os números recordes registrados para o uso de capacidade instalada da indústria e para o aumento dos itens que têm registrado aumento de preço.

“O balanço de riscos para a inflação se deteriorou desde setembro”, afirmou em entrevista à imprensa.

Ele acrescentou que o BC ainda trabalha com a perspectiva de uma “desaceleração moderada” da economia global em 2008, mas apontou que uma desaceleração mais pronunciada não pode ser descartada, dadas as incertezas.

Em mais um sinal de cautela, Mesquita reforçou que a política monetária tem efeitos defasados na economia. “A trajetória de juros indica que ainda há substancial estímulo monetário para atuar sobre a economia brasileira”, afirmou.

Para 2009, a expectativa do BC é de alta de 4,2 por cento para o IPCA, também abaixo da meta. Em um cenário que leva em conta as projeções do mercado para câmbio e juros, no entanto, a estimativa do BC para 2009 sobe para 4,7 por cento, acima do centro da meta.

CRESCIMENTO FORTE

Ao mesmo tempo em que o BC espera preços mais salgados, o cenário traçado para a economia como um todo mostra forte vigor da atividade.

Para este ano, o Banco Central avalia que o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve crescer 5,2 por cento, acima dos 4,7 por cento indicado no relatório de setembro.

A alta reflete o maior ritmo de crescimento verificado no terceiro trimestre, informou o BC.

Para 2008, a previsão é de uma expansão econômica de 4,5 por cento. O relatório não traz estimativa para o crescimento econômico de 2009.

CPMF

No relatório, o BC afirmou que a rejeição da emenda que prorrogava a CPMF no Senado “eleva o grau de incerteza associado às perspectivas para a política fiscal”.

Questionado sobre a questão, Mesquita afirmou que o BC só poderá aprofundar a análise sobre os eventuais impactos da rejeição do tributo depois que o governo estabelecer uma resposta à frustração de receitas, o que deve ocorrer em janeiro.

A proposta de Orçamento da União para 2008 incorporava uma previsão de arrecadação de 40 bilhões de reais em receitas da CPMF.

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