Votação no Zimbábue é ilegítima, diz Comissão Européia

sexta-feira, 27 de junho de 2008 10:21 BRT
 

BRUXELAS (Reuters) - A Comissão Européia disse na sexta-feira que o segundo turno das eleições presidenciais do Zimbábue é uma "fraude" e que não reconhecerá os resultados como legítimos.

"A Comissão Européia, assim como a ONU, não considera essa eleição legítima ou válida", disse uma porta-voz do Executivo da UE sobre a decisão do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de continuar a votação mesmo depois da desistência de seu oponente, Morgan Tsvangirai.

Tsvangirai abandonou as eleições temendo intimidação contra ele e os seguidores de seu partido.

"A votação de hoje é uma fraude, é vazia e seu resultado será igualmente vazio e sem sentido", disse a porta-voz Krisztina Nagy durante um informe regular à impressa. Ela acrescentou que o processo eleitoral foi "dominado por uma campanha governamental sistemática de violência e intimidação".

Nesta sexta, o povo do Zimbábue aos poucos está comparecendo às urnas para votar na eleição de um único candidato.

Mugabe ignorou a condenação da comunidade internacional, que pedia que a votação fosse adiada.

Em uma cúpula na semana passada, líderes da União Européia ameaçaram o Zimbábue com mais sanções, depois da violência que marcou as vésperas das eleições.

As sanções da UE já existentes incluem um embargo de armas, proibição de vistos e o congelamento de ativos de mais de 100 autoridades, incluindo Mugabe.

Um Comitê do Parlamento Europeu pediu nesta semana um governo de unidade nacional liderado pela oposição no Zimbábue. Quer também que os países-membros da UE aumentem as sanções contra o governo de Mugabe, caso ele rejeite a mediação do bloco.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Fanco Frattini, disse que irá pedir à França, que assume a Presidência rotativa de União Européia em 1o de julho, que dê início a reuniões sobre a possibilidade de retirar os embaixadores da UE do Zimbábue.

(Reportagem de David Brunnstrom, em Bruxelas, e Sophie Hardach, em Kyoto)

 
<p>Manifestantes protestam contra Robert Mugabe do lado de fora da embaixada do pa&iacute;s em Londres. em 27 de junho de 2008. Photo by Stephen Hird</p>