27 de Março de 2008 / às 20:31 / 9 anos atrás

Enquanto aguarda Jirau, Furnas busca parceiros para PCHs

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Furnas lançará em maio oferta pública com objetivo de encontrar parceiros para construir pequenas hidrelétricas (PCHs) no Estado do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que busca financiamento do BNDES para erguer o megaprojeto de 3 mil megawatts no rio Madeira, em Rondônia, e se prepara para disputar a usina de Jirau, na mesma região.

Segundo o presidente de Furnas, Luiz Paulo Conde, a primeira oferta pública abrangerá seis projetos que podem gerar, ao todo, 80 megawatts de energia elétrica.

“Podemos ser minoritários ou não nesses projetos... o Brasil está cheio de oportunidades para pequenas hidrelétricas que juntas formam uma grande”, disse Conde a jornalistas após assinar o primeiro financiamento em 17 anos do BNDES para Furnas.

Segundo Conde, a proibição se devia ao “contingenciamento de recursos públicos”. Para conseguir esse empréstimo, a estatal responsável pelo maior parque gerador do país conseguiu uma autorização especial do Conselho Monetário Nacional (CMN), que liberou financiamentos da ordem de 2,4 bilhões de reais pelo BNDES para Furnas e outras estatais.

“É um dia histórico, não há possibilidade de se fazer projetos no Brasil sem financiamento”, avaliou o executivo que ainda se recupera de uma operação, mas que vem trabalhando normalmente na estatal.

O financiamento do BNDES, no valor de 1 bilhão de reais, do total de 1,6 bilhão de reais a serem investidos, possibilitará a construção da usina hidrelétrica Simplício, que será a segunda maior hidrelétrica do Estado do Rio de Janeiro com capacidade para gerar 33,7 megawatts, ou o suficiente para iluminar uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. A unidade entrará em operação em 2010.

Furnas tem mais seis usinas em construção, estimadas em 7 bilhões de reais.

MADEIRA

Conde informou que aguarda para o segundo semestre a liberação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de recursos para iniciar a construção da usina de Santo Antonio, no rio Madeira, leiloado no final do ano passado.

Sem revelar o montante solicitado --o projeto é estimado em 9,5 bilhões de reais e o BNDES pode financiar até 75 por cento desse total-- o presidente do banco, Luciano Coutinho, presente no evento, afirmou que o pedido de Furnas já foi enquadrado, o que na linguagem do BNDES quer dizer que haverá recursos se aprovado pela diretoria.

“Ainda estamos em fase de análise e a previsão é que seja assinado em agosto”, afirmou Coutinho.

Segundo Conde, as obras deverão ser iniciadas em setembro e o montante solicitado ao banco vai depender também das condições que serão impostas pelo Ibama, quando a Licença de Instalação (LI) for aprovada.

“O comprometimento do Ibama é dar a licença até o final deste mês (março), tem que ver as medidas compensatórias que virão”, afirmou, referindo-se às exigências que o órgão ambiental costuma fazer para projetos que causam impacto no meio ambiente.

Conde confirmou ainda que Furnas e Odebrecht vão participar juntas do leilão para a segunda usina do rio Madeira, Jirau, previsto para 9 de maio.

“A tendência é se manter o mesmo consórcio, porque as duas usinas (Santo Antônio e Jirau) foram estudadas juntas, e fazendo tudo junto fica mais barato”, explicou.

Sobre o recente frustrado leilão da Companhia Energética de São Paulo, do qual não pôde participar, Conde afirmou que Furnas teria interesse nos ativos, mas que o governo federal estipulou que os recursos da empresa fossem canalizados para energia nova.

“O Serra até me ligou e eu queria entrar no leilão, mas o ministro (de Minas e Energia, Edison Lobão) não deixou, o governo quer que a gente patrocine só energia nova, não a que já está pronta”, concluiu.

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