Banco esbarra em falta de padrão para se tornar mais eletrônico

terça-feira, 27 de maio de 2008 16:26 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - As instituições financeiras idealizam o banco do futuro como aquele que possa prestar serviços em qualquer lugar, por qualquer meio eletrônico e com plena segurança. Mas as barreiras culturais e a falta de padrão impedem a previsão de quando o ideal irá se concretizar.

O cheque é só um exemplo. Ainda que os bancos tenham planos de reduzir cada vez mais o consumo de papel e sua presença nas transações bancárias já tenha caído sensivelmente, ele está longe de desaparecer.

Segundo números apresentados nesta terça-feira pela área de tecnologia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o uso de cheques diminuiu 42 por cento no período de 2000 a 2007. O cheque respondeu por menos de 4 por cento das transações no ano passado, frente a 13 por cento em 2000, mas ainda gerou 1,53 bilhões de transações.

"É difícil prever que (o cheque) vá acabar. É algo que ainda está muito arraigado na cultura brasileira", afirmou Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca, diretor de tecnologia da Febraban.

Segundo ele, a queda no uso de cheques "é uma tendência mundial", mas não há registro de países que já tenham abandonado completamente o uso. "Em países nórdicos, o uso já caiu praticamente a zero", citou o executivo. No Brasil, no entanto, a prática de cheques pré-datados é uma das razões que preservam o uso do meio impresso.

O uso do celular para transações financeiras é outra tendência que ainda não conseguiu ganhar escala no Brasil. Para Fonseca, falta padronização.

"Isso só vai se massificar quando houver um sistema que possa ser usado por clientes de todas as operadoras de celular, por todos os bancos e por qualquer tipo de aparelho."

A Febraban tem um grupo de trabalho que discute formas de viabilizar essa padronização, mas o diretor de tecnologia admite que chegar a um consenso "ainda vai exigir muita discussão" e ele prefere não arriscar uma data.   Continuação...