27 de Maio de 2008 / às 19:29 / em 9 anos

Banco esbarra em falta de padrão para se tornar mais eletrônico

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - As instituições financeiras idealizam o banco do futuro como aquele que possa prestar serviços em qualquer lugar, por qualquer meio eletrônico e com plena segurança. Mas as barreiras culturais e a falta de padrão impedem a previsão de quando o ideal irá se concretizar.

O cheque é só um exemplo. Ainda que os bancos tenham planos de reduzir cada vez mais o consumo de papel e sua presença nas transações bancárias já tenha caído sensivelmente, ele está longe de desaparecer.

Segundo números apresentados nesta terça-feira pela área de tecnologia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o uso de cheques diminuiu 42 por cento no período de 2000 a 2007. O cheque respondeu por menos de 4 por cento das transações no ano passado, frente a 13 por cento em 2000, mas ainda gerou 1,53 bilhões de transações.

“É difícil prever que (o cheque) vá acabar. É algo que ainda está muito arraigado na cultura brasileira”, afirmou Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca, diretor de tecnologia da Febraban.

Segundo ele, a queda no uso de cheques “é uma tendência mundial”, mas não há registro de países que já tenham abandonado completamente o uso. “Em países nórdicos, o uso já caiu praticamente a zero”, citou o executivo. No Brasil, no entanto, a prática de cheques pré-datados é uma das razões que preservam o uso do meio impresso.

O uso do celular para transações financeiras é outra tendência que ainda não conseguiu ganhar escala no Brasil. Para Fonseca, falta padronização.

“Isso só vai se massificar quando houver um sistema que possa ser usado por clientes de todas as operadoras de celular, por todos os bancos e por qualquer tipo de aparelho.”

A Febraban tem um grupo de trabalho que discute formas de viabilizar essa padronização, mas o diretor de tecnologia admite que chegar a um consenso “ainda vai exigir muita discussão” e ele prefere não arriscar uma data.

A entidade não tem números sobre o uso do celular para a concretização de transações bancárias porque considera que eles ainda são muito pequenos.

A segurança das transações “é uma preocupação constante” dos bancos, de acordo com Fonseca, mas os recursos de biometria que permitem identificar correntistas por características únicas --e, por isso, invioláveis-- como a íris, as linhas da palma da mão ou as impressões digitais também enfrentam o problema da padronização.

“Como são tecnologias muito incipientes, há uma pressão muito grande dos fornecedores”, disse.

AGÊNCIAS MUDAM DE PAPEL

Apesar dos entraves, Fonseca acredita que o banco caminha para se tornar cada vez mais móvel e eletrônico, como forma de se tornar cada vez mais conveniente ao cliente. Nem por isso ele espera o fim das agências.

“As agências vão continuar a existir para a conquista de novos clientes, algo que se faz muito mais por contato pessoal”, afirmou.

Para ele, as agências deixarão pouco a pouco de ser um ponto de prestação de serviços para ser o local de relacionamento e conquista de novos clientes.

Em 2007, segundo a pesquisa, os bancos investiram 6,16 bilhões de reais em imobilizado na área de tecnologia (hardware, telecomunicações e software). O montante representa 16 por cento a mais que o aplicado em 2006.

As despesas totais da área, que incluem também serviços, aluguéis, salários e encargos, cresceram 6 por cento no ano. Juntos, despesa e investimentos em tecnologia atingiram 14,86 bilhões de reais em 2007.

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