Premiê italiano enfrenta pedidos de renúncia dentro da coalizão

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 16:40 BRST
 

Por Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, rejeitou nesta quinta-feira um pedido de renúncia feito por políticos de centro de sua coalizão, e disse que apenas sairá do cargo por determinação do Parlamento.

Em uma conferência de fim de ano, Prodi ressaltou não estar perturbado pelo mais recente ataque vindo de dentro de sua frágil coalizão de centro-esquerda. Ele foi forçado a renunciar uma vez após ter sido eleito em abril de 2006 com uma pequena maioria.

"Governos são derrubados por votos de não-confiança. Não há outros instrumentos, nem entrevistas, nem declarações", disse Prodi.

"Fomos eleitos com um mandato, com uma coalizão, com um trabalho a fazer e é isso que o governo está fazendo", disse o premiê em uma coletiva de imprensa na qual divulgou uma otimista avaliação da economia e prometeu aumentar o poder aquisitivo de famílias mais pobres.

Mas muitos analistas políticos acreditam que esta será a última vez que Prodi celebra o Ano Novo no poder, em meio ao aumento de tensões em sua coalizão de nove partidos, que vão desde católicos até comunistas.

O ataque mais recente veio de Lamberto Dini, um ex-primeiro-ministro de centro que pode acabar com a maioria de Prodi no Senado se retirar seu pequeno Partido Liberal da coalizão.

"Não é apenas a oposição que gostaria de ver este governo acabar --o povo italiano está pedindo por isso", afirmou Dini em entrevista a um jornal, na qual pediu um novo governo de coalizão que incluiria partidos atualmente na oposição e excluiria a extrema esquerda.

Quando questionado se abandonaria a coalizão de Prodi, ele respondeu: "É o governo que perdeu o consenso dos cidadãos que deveria renunciar".

Prodi chegou a deixar o cargo em fevereiro quando políticos de esquerda se recusaram a apoiar sua política externa, mas voltou ao cargo após ganhar um voto de confiança quando dissidentes retomaram posições iniciais por medo de que o líder da oposição Silvio Berlusconi voltasse ao poder.