Marco Aurélio Garcia prevê libertação de mais reféns das Farc

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 17:01 BRST
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - Os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) devem soltar a ex-senadora Ingrid Betancourt e outros reféns após a programada libertação de três prisioneiros, relatou nesta quinta-feira Marco Aurélio Garcia, representante brasileiro na missão.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajudou a mediar conversas entre Venezuela e Colômbia, que levaram a um acordo para que o grupo guerrilheiro de esquerda libertasse três reféns até sexta-feira.

"Se a operação amanhã for exitosa, e tem tudo para ser exitosa, o próximo passo será, sem dúvida nenhuma, a libertação de Ingrid (Betancourt) e outras pessoas", disse Garcia, que é assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais.

Lula realizou conversas separadas este mês com o presidente colombiano, Alvaro Uribe, e com o colega venezuelano, Hugo Chávez, nas quais ofereceu ajuda na questão humanitária.

Garcia será um dos vários observadores estrangeiros a testemunharem a libertação dos reféns na Colômbia, incluindo Clara Rojas, capturada durante sua campanha para a vice-presidência em 2002, e seu filho, Emmanuel, nascido em cativeiro de uma relação com um rebelde.

Ingrid Betancourt, que também possui nacionalidade francesa, era candidata presidencial quando ela e Rojas, concorrendo juntas, foram capturadas pelas Farc.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, tem pressionado pela libertação de Betancourt.

Garcia elogiou Chávez e Uribe por colocarem de lado um impasse diplomático sobre a questão e concordarem com a missão.

"Espero que seja um ponto de partida na reconciliação dos dois governos", concluiu Garcia antes de viajar para Caracas.

O plano envolverá representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador e França, que devem viajar numa caravana de aviões e helicópteros da Venezuela até a cidade colombiana de Villavicencio, e de lá, em helicópteros com emblema da Cruz Vermelha Internacional, até um local não revelado da selva, onde recolheriam os reféns e os levariam a Villavicencio ou diretamente à Venezuela.