JURO-Projeções caem com inflação em baixa e comentários do Fed

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 16:10 BRT
 

SÃO PAULO, 27 de fevereiro (Reuters) - A maioria das projeções de juros encerrou a quarta-feira em baixa na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), refletindo dados recentes de inflação em desaceleração e comentários do Federal Reserve.

"A razão para tal movimento foi a mesma que tem influenciado os demais segmentos do mercado: a prioridade do Fed em combater os riscos de recessão e ausência de novidades negativas sobre perdas em instituições financeiras", apontou a corretora Spinelli em relatório.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) abril de 2008 --que embute as estimativas para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom)-- encerrou estável, a 11,13 por cento ao ano.

O DI janeiro de 2010 --o contrato mais negociado do dia-- recuou de 12,40 para 12,39 por cento. O DI janeiro de 2009 também fechou estável, a 11,72 por cento.

O chairman do Fed, Ben Bernanke, enfatizou os riscos para a economia e disse que o banco central dos Estados Unidos fará o necessário para contê-los, levando o mercado a apostar em outros cortes de juro.

Tal movimento aumentaria ainda mais a diferença em relação à Selic, atraindo mais recursos para o Brasil e derrubando mais o dólar, o que ajuda a conter a inflação.

"Nos últimos dias o mercado de juros vem em uma trajetória de baixa, com essa questão do diferencial dos juros e com todos os índices positivos de inflação", afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Nesta semana, três índices de inflação --IPC-S, IPC-Fipe e IPCA-15-- mostraram desaceleração nas leituras de meados de fevereiro. Nesta quinta-feira, sai o IGP-M, que, segundo pesquisa da Reuters, deve reduzir a alta para 0,50 por cento, ante 1,09 por cento em janeiro.

No mercado aberto, o Banco Central recolheu 2,762 bilhões de reais dos bancos para enxugar a liquidez. Os recursos serão devolvidos na quinta-feira, a 11,20 por cento ao ano.

Além disso, o BC vendeu o equivalente a 1,63 bilhão de dólares em contratos de swap cambial reverso para rolar vencimentos de 3 de março.

(Reportagem de Vanessa Stelzer; Edição de Daniela Machado)