Superávit fiscal é recorde para julho, mas dívida sobe

quarta-feira, 27 de agosto de 2008 13:19 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro registrou em julho o maior superávit primário para o período desde o início da série do Banco Central, mas um volume recorde de juros contribuiu para que a dívida líquida do governo aumentasse ligeiramente.

De acordo com dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira, o superávit primário alcançou 12,109 bilhões de reais em julho, turbinado pela arrecadação crescente de impostos e contribuições.

O valor ficou bem acima dos 7,904 bilhões de reais obtidos em igual período do ano passado e também além dos 11,9 bilhões de reais estimados por economistas consultados pela Reuters.

Apesar do incremento do saldo, a economia feita pelo governo em julho não foi suficiente para cobrir os vencimentos de juros, de 18,777 bilhões de reais, recordes para o mês, e o país teve déficit nominal de 6,668 bilhões de reais.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou que a elevação dos pagamentos de juros tem refletido, principalmente, a escalada da inflação nos últimos meses --que tem impacto sobre os títulos públicos atrelados a índices de preços-- e a apreciação cambial --que reduz a valorização dos ativos cambiais do governo.

Em 12 meses encerrados em julho, o superávit primário foi equivalente a 4,38 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,27 por cento do PIB em 12 meses até junho. O déficit nominal ficou em 1,94 por cento do PIB em junho e julho.

O governo tem como meta superávit primário equivalente a 3,8 por cento do PIB no ano, mas se comprometeu a fazer um esforço adicional de 0,5 ponto do PIB para alimentar o fundo soberano.

"O governo, em todas as suas instâncias, tem se mantido bastante vigilante e bastante consciente da questão fiscal. O que se espera é de fato o cumprimento da meta no final do ano", afirmou Lopes.   Continuação...