Cautela de estrangeiros impulsiona dólar em dia nervoso

terça-feira, 27 de novembro de 2007 11:37 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar mantinha o ritmo de alta dos últimos dias e subia 1,86 por cento nesta terça-feira, com a cautela dos investidores estrangeiros em meio à turbulência global e as incertezas no mercado doméstico.

Às 11h35, a moeda era cotada a 1,859 real. O dólar, que subiu mais de 1 por cento nas últimas duas sessões, acumula valorização de cerca de 7 por cento em novembro e já é cotado no maior nível em dois meses.

A preocupação no exterior com a crise no setor financeiro voltou a influenciar os negócios no Brasil. Na véspera, após o fechamento do mercado brasileiro de câmbio, as ações em Wall Street aceleraram a queda e empurraram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para baixa de mais de 3 por cento.

Com a menor disposição dos estrangeiros em assumir riscos --o risco Brasil, medido pelo JPMorgan, já superou os 250 pontos-básicos--, eles continuavam a reduzir as apostas no mercado futuro pela desvalorização do dólar.

"Todo mundo está de orelha em pé. O mercado continua nervoso", disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy.

De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros compraram aproximadamente 1,3 bilhão de dólares no mercado futuro em termos líquidos na segunda-feira. Com isso, a posição vendida em dólar desses investidores caiu de 6,45 bilhões de dólares em 14 de novembro, quando o dólar atingiu o menor nível desde 2000, para 1,53 bilhão de dólares na última sessão.

Quanto maior a posição vendida em dólares, maior a aposta na desvalorização da moeda norte-americana diante do real. Ela engloba o mercado futuro de dólar e o de cupom cambial.

Nesta sessão, porém, as bolsas no exterior sentiam algum alívio com notícias sobre a compra de uma parte do Citigroup, maior banco norte-americano, pelo braço de investimentos do governo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

A tensão externa era combinada, no Brasil, com a incerteza quanto à atuação do governo no mercado de câmbio. Nos últimos dias, muitos agentes comentaram que há dúvidas sobre a formação de um fundo soberano pelo Brasil com dólares comprados no mercado, e não retirados das reservas internacionais.   Continuação...