June 27, 2008 / 8:37 PM / 9 years ago

Marta diz que eleição em SP é esquerda contra "demos e tucanos"

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - Ao apresentar a coligação que irá apoiar sua candidatura à prefeitura de São Paulo, a pré-candidata do PT, Marta Suplicy, estabeleceu uma linha divisória entre as principais correntes políticas que disputam o cargo.

"São Paulo vai ser palco de uma disputa entre dois projetos: De um lado, as forças de esquerda com um projeto de inclusão social; de outro, demos e tucanos, não faz diferença", disse Marta.

A pré-candidata petista terá como principais adversários o ex-governador Geraldo Alckmin, pelo PSDB, e o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os dois partidos são aliados na prefeitura e no governo do Estado, mas estarão separados na eleição de outubro.

Marta criticou a atuação de Alckmin e Kassab na questão do transporte público, apontado como um dos principais problemas na vida do paulistano. A ex-ministra do Turismo disse que em 16 anos de atuação no governo do Estado, tucanos e democratas só fizeram 62 quilômetros de linhas de metrô, sendo apenas 2,5 km nos últimos dois anos.

Marta Suplicy governou o município de São Paulo de 2001 a 2004 e perdeu a reeleição para José Serra (PSDB), atual governador de São Paulo.

"Temos condições de retomar a cidade que não devia ter sido perdida como foi", afirmou em seu discurso.

O deputado federal e ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB), que abdicou da candidatura a prefeito para apoiar a coligação em torno de Marta, afirmou que houve empenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a união dos partidos de esquerda.

"O presidente Lula fazia muito gosto no apoio das esquerdas em São Paulo, isso foi colocado a mim. No fim das contas era o desejo dessas forças (políticas)", disse ele.

A coligação de apoio a Marta, batizada de "Uma nova atitude para São Paulo", é formada por PT, PCdoB, PSB, PDT, PRB e PTN. Os partidos fazem suas convenções no fim de semana para ratificar o apoio.

Estavam presentes à cerimônia de apresentação da coligação os presidentes dos partidos que a integram, o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), o senador Aloizio Mercadante (PT), o deputado federal José Genoíno (PT) e o também deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, que se afastou da presidência do PDT paulista após ser acusado de envolvimento no caso de desvio de recursos do BNDES.

Segundo Marta, a presença de Paulinho, que discursou no evento, não causou constrangimento, "porque ninguém pode ser julgado antes da hora". Aldo Rebelo foi na mesma linha e lembrou que os processos contra Paulinho estão sendo julgados no Conselho de Ética da Câmara (por quebra de decoro parlamentar) e no Supremo Tribunal Federal (em inquérito pelo suposto envolvimento no desvio de verbas do BNDES).

Reportagem de Carmen Munari

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