27 de Agosto de 2008 / às 21:52 / 9 anos atrás

Conflito Rússia-Geórgia aumenta tensão no mar Negro

Por Elizabeth Piper e Mark Trevelyan

KIEV/TBILISI (Reuters) - A Ucrânia informou na quarta-feira que pretende discutir um aumento no valor cobrado à Rússia pelo uso de uma base naval no mar Negro, medida que pode agravar as tensões regionais inflamadas pelo conflito de Moscou com a Geórgia.

Enquanto a marinha dos EUA leva suprimentos humanitários à Geórgia, a Rússia diz que sua marinha está observando "o aumento das forças da Otan na área" e começou a tomar medidas para monitorar sua atividade.

A Geórgia deixou apenas dois diplomatas em Moscou, ordenando a retirada dos demais, em protesto ao reconhecimento russo à independência das províncias Ossétia do Sul e Abkházia, e o presidente Mikheil Saakshvili conclamou o Ocidente a manter a ordem internacional.

"A Rússia claramente teve com isso a intenção de fazer um claro desafio à ordem mundial. Cabe agora a todos nós reverter essa agressão russa. Se eles se safarem dessa, eles continuarão... eles inclusive atacarão outros países na vizinhança", disse Saakshvili em entrevista à Reuters.

O G7 -- Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos -- assinou um comunicado para "condenar" o reconhecimento dado à Rússia às duas regiões rebeldes e para "deplorar o uso excessivo de força militar pela Rússia na Geórgia".

A Rússia rapidamente superou as forças georgianas em uma breve guerra na Ossétia do Sul neste mês, na primeira vez que o país enviou tropas para combater fora do país desde o colapso da União Soviética, em 1991.

Tropas e tanques russos continuam a ocupar partes da Geórgia, incluindo as zonas tampão que estabeleceu ao redor da Ossétia do Sul e da Abkházia. Moscou ignorou as exigências do Ocidente para se retirar do local e diz que suas tropas são necessárias ali para proteger civis de agressões georgianas.

A crise da Geórgia alarmou outras repúblicas soviéticas com consideráveis minorias russas, particularmente a Ucrânia e os países balcânicos.

O ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, sugeriu que a Rússia pode estar de olho em países vizinhos como a Ucrânia e a Moldávia.

GRAVE VIOLAÇÃO

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse ao presidente russo, Dmitry Medvedev, que a presença russa no porto de Poti e outras áreas na Abkházia e na Ossétia do Sul consistiam uma "grave violação" do cessar-fogo mediado pela França, informou seu porta-voz.

O acordo permite à Rússia estacionar suas tropas dentro de território georgiano, mas o ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, disse que Moscou promoveria uma retirada assim que um mecanismo de monitoramento internacional entrasse em vigor.

"Nós estaremos prontos a tomar decisão, incluindo nas Nações Unidas, sobre aumentos adicional de monitores internacionais, esclarecendo suas missões e outros passos com a participação internacional", disse ele em Dushanbe, capital do Tadjiquistão.

Apesar da avalanche de críticas internacionais, o governo russo sinalizou não estar preocupado com o fato de ser o único a reconhecer a independência das províncias rebeldes e descartou pressionar seus aliados a fazer o mesmo.

"Iniciar um amplo apoio (ao reconhecimento) não é uma meta prioritária", disse Dmitry Peskov, porta-voz do primeiro-ministro Vladmir Putin. "Nós não vamos torcer o braço de ninguém para fazê-los apoiar".

Para o secretário de Exterior britânico, David Milibgand, Medvedev tem a grande responsabilidade de não reiniciar a Guerra Fria.

"A Rússia ainda não se ajustou ao novo mapa nessa nova região", disse. "Nós não queremos uma nova Guerra Fria e ele (Medvedev) tem a grande responsabilidade de não começar uma".

O presidente da Ucrânia, Viktor Yushenko, junou-se às nações ocidentais e condenou o gesto russo.

Ele disse que seu país pretende discutir o aumentar do aluguel pago pela Rússia pelo uso da base de Sevastopol, na região ucraniana da Crimea, quartel-general da frota russa no mar Negro.

A Rússia disse que qualquer aumento representaria uma quebra de um acordo de 1997, pelo qual o aluguel da base foi estipulado em 98 milhões de dólares anuais.

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