Fracasso com CPMF pode atrasar melhora do rating brasileiro--S&P

terça-feira, 27 de novembro de 2007 18:18 BRST
 

Por Walter Brandimarte

NOVA YORK, 27 de novembro (Reuters) - Uma possível melhora do rating brasileiro pode ser adiada se o Congresso não aprovar neste ano a prorrogação da CPMF, afirmou a agência de classificação de risco Standard & Poor's nesta terça-feira.

A previsão é de que o tributo arrecade cerca de 39 bilhões de reais no ano e o impacto de sua rejeição dependerá da habilidade do governo em cortar gastos ou aumentar outras fontes de receita, apontou Lisa Schineller, analista da S&P.

"Nós assumimos que a CPMF será aprovada e isto está incorporado em nossa avaliação. Se não passar, quais serão as medida compensatórias, se houver, que o gorverno irá tomar?", disse Schineller a jornalistas após uma conferência em Nova York.

"Isto será um foco de discussões internas (na S&P), avaliando a perspectiva positiva e o momento de qualquer mudança para grau de investimento."

A CPMF expira no final de dezembro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua negociando com sua base parlamentar para aprovar a prorrogação até 2011.

A S&P elevou a nota soberana do Brasil para "BB+", com perspectiva positiva, no dia 16 de maio, deixando o país a um passo do cobiçado clube dos países com grau de investimento.

A expectativa é de que a agência utilize a perspectiva positiva num período de seis meses a dois anos, acrescentou Schineller. A maioria dos analistas concorda que uma nova elevação do rating do país deve ocorrer no máximo no próximo ano.

Schineller salientou que a principal preocupação da S&P é como o governo irá gerenciar choques como o de uma não-prorrogação da CPMF ou de uma desaceleração econômica global.

"É importante que exista um forte comprometimento em manter um sólido superávit primário", disse.

A previsão da S&P é de que a desaceleração econômica global irá reduzir o crescimento do Brasil para cerca de 4,25 por cento em 2008 ante os 4,7 por cento esperados para este ano.