Recuperação externa breca alta do dólar após disparada inicial

terça-feira, 27 de novembro de 2007 16:31 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A recuperação das bolsas internacionais ajudou a brecar a alta do dólar nesta terça-feira. A moeda norte-americana terminou o dia com avanço de 0,66 por cento, a 1,837 real, após saltar mais de 2 por cento pela manhã.

Sem contar a sessão do dia 20, atípica pelo feriado da Consciência Negra que fechou os negócios em São Paulo e no Rio de Janeiro, já é o sétimo dia seguido de alta. No mês, a valorização do dólar é de 5,7 por cento.

A moeda norte-americana começou o dia em disparada. O interesse dos estrangeiros em ficar menos expostos ao risco cambial provocou ajustes no mercado futuro, aproximando o dólar de 1,87 real no mercado à vista --maior nível desde o final de setembro.

A compra futura de dólares pelos estrangeiros já havia chamado a atenção nos últimos dias. De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros reduziram a posição vendida em dólar de 6,45 bilhões no dia 14, quando a moeda caiu para o menor nível desde 2000, para 1,53 bilhão de dólares na segunda-feira.

Quanto maior a posição vendida em dólares, maior a aposta na queda da moeda norte-americana diante do real. A conta engloba o mercado futuro de dólar e o de cupom cambial.

Por trás do desmonte de posições está o aumento da aversão ao risco no exterior, provocado principalmente pela crise no setor de crédito imobiliário de risco dos Estados Unidos.

"O real é o mais líquido (entre os emergentes), até pelo tamanho do mercado brasileiro. Num processo desse, de diminuição de posições, o mercado teve uma saída maior do real", disse Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, apontando que a moeda brasileira tem a maior perda entre os emergentes em relação ao dólar no último mês.

Mas a alta de mais de 1 por cento das bolsas em Nova York, animadas com a injeção de 7,5 bilhões de dólares no Citigroup por investidores de Abu Dhabi, interrompeu o movimento de ajuste. Às 16h15, o risco-país, medido pelo JPMorgan, devolvia parte do avanço recente e caía 13 pontos-básicos.   Continuação...