Indústria de soja investe mais com biodiesel e demanda por ração

terça-feira, 27 de novembro de 2007 17:22 BRST
 

Por Inaê Riveras

SÃO PAULO, 27 de novembro (Reuters) - A demanda crescente por ração e a expectativa de um mercado próspero de biodiesel no Brasil estão estimulando a indústria esmagadora de soja a investir em novas unidades, afirmaram analistas e representantes do setor.

A gigante norte-americana Cargill Inc. tem planos de instalar uma processadora nova em Mato Grosso, que começaria a operar em 2009. Sua rival Bunge Ltd. BG.N também confirmou que pretende instalar uma unidade no Estado.

Várias empresas, incluindo Cargill e Bunge, tiveram que fechar fábricas nos últimos anos devido principalmente a fracas margens de lucro no esmagamento. Os ganhos continuaram reduzidos na operação na maior parte de 2007, mas as perspectivas estão melhorando.

"O que mudou na verdade foi o link entre soja e agroenergia. Essas operações estão todas sendo catapultadas pelo mercado de agroenergia, de biodiesel", afirmou Renato Sayeg, trader-chefe da corretora Tetras.

A adição obrigatória de 2 por cento de biodiesel no diesel em todo o país entra em vigor em janeiro de 2008. A mistura deve subir para 5 por cento até 2013, podendo essa meta ser antecipada.

"Hoje temos uma sobreoferta de capacidade instalada de biodiesel... mas todas (essas esmagadoras) podem ser fornecedoras de matéria-prima para o biodiesel", afirmou o analista Leonardo Sologuren, da consultoria Céleres.

A crescente demanda por ração no Brasil, para atender à indústria de carnes, também contribui para um cenário mais promissor para o esmagamento, disse o analista.

A produção brasileira de frango de janeiro a outubro atingiu 8,4 milhões de toneladas, com aumento de quase 10 por cento sobre igual período de 2006.   Continuação...