Para líder de Serra,CPI dos cartões em Brasília está "combinada"

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 19:24 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Ao reagir à pressão do PT para a abertura de CPIs sobre o governo José Serra, o líder do governo na Assembléia, o deputado estadual Barros Munhoz, disse que desacredita deste tipo de comissão e afirmou que a CPI dos cartões do governo federal não vai dar em nada porque está toda "combinada" entre governo e oposição.

"O que poderia justificar uma apuração não vai ser apurado. O acordo é esse, vamos combinar, a gente sai na TV, a imprensa toda fala na gente, a gente dá entrevista uma barbaridade. Agora, o que pode dar problema para você eu não fiscalizo e o que pode dar problema para mim você não fiscaliza", disse o deputado tucano a jornalistas nesta quarta-feira.

Denúncias de irregularidades com o uso dos cartões corporativos do governo federal levaram à criação de uma CPI mista (Câmara e Senado), que terá um tucano na presidência. Prevê investigar os gastos dos cartões nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

Minoria na Assembléia Legislativa, o PT patrocinou, junto com sindicalistas e funcionários públicos, um ato em frente à Assembléia nesta tarde, que se estendeu ao plenário.

"Nosso objetivo é mostrar para a sociedade paulista a insatisfação da oposição com a operação abafa do governo Serra", disse o líder do PT, Simão Pedro. "Começamos a sentir que Serra está com esta pecha de que não deixa investigar, como o (ex-governador Geraldo) Alckmin."

O governador Serra fez pouco caso do ato. "É um trololó petista, estão apenas querendo distrair a atenção de Brasília", disse a jornalistas em um compromisso.

O PT denunciou os cartões do governo Serra, apontando uso irregular do dinheiro público por servidores. Um total de 108 milhões de reais foi gasto com esta forma da pagamento em 2007. O partido quer criar uma CPI para investigar o tema, mas não tem as assinaturas necessárias e quer sensibilizar governistas. Conseguiu 23 e precisa de no mínimo 32.

"Lá (em Brasília), eles conseguiram o que queriam", disse o líder da minoria na Assembléia Legislativa, Ênio Tatto (PT), sobre a CPI dos cartões do governo federal e o fato de a presidência da comissão ter sido entregue ao PSDB.

O PT de São Paulo reclama ainda que não consegue sequer que o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa, compareça à comissão de Finanças para dar explicações sobre os cartões.

Segundo os petistas, Alckmin impediu a realização de 69 CPIs, enquanto a administração Serra mereceria dez temas de investigação além dos cartões, como a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) e o metrô, entre outros.

(Reportagem de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto)