CONSOLIDA-BRADESCO e ITAÚ soltam balanço e brecam queda de ações

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 15:56 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 27 de outubro (Reuters) - Após verem suas ações desabarem na semana passada, abatidas pela desconfiança do mercado sobre possíveis perdas com a crise internacional, os grandes bancos brasileiros se mobilizaram para mostrar que os resultados não foram contaminados por "derivativos exóticos".

Destoando da rotina, os três grandes se acotovelaram para divulgar o desempenho do terceiro trimestre em apenas dois dias úteis. Nesta segunda-feira, o Bradesco BBDC4.SA teve que dividir espaço com o Itaú ITAU4.SA que, assim como o Unibanco na sexta-feira, surpreendeu ao antecipar o balanço.

De acordo com Sílvio de Carvalho, diretor de controladoria do Itaú, a antecipação deve-se ao "comportamento do mercado de capitais que tem acontecido nas últimas semanas, com tudo acontecendo muito rápido".

Segundo analistas, os resultados operacionais dos bancos, que vieram em linha com as estimativas, ficaram em segundo plano. "A expectativa toda era saber se os bancos tinham tido perdas com derivativos. Eles tinham ficado num córner, por causa de especulações sobre perdas no setor, o que não se mostrou verdadeiro", disse João Augusto Frota Salles, analista sênior da consultoria RiskBank.

Para fazer frente a esse cenário pouco amistoso, os bancos chegaram ao mercado com uma combinação de dados operacionais vigorosos, apetite por compra de carteiras de instituições menores e, o que mais se aguardava, poucos efeitos negativos de operações com derivativos --que afetaram algumas empresas do país.

"Temos uma regra aqui: quando eu não entendo uma operação, eu não faço", afirmou Márcio Cypriano, presidente-executivo do Bradesco, em conferência com jornalistas.

Bradesco e Itaú reportaram, respectivamente, o terceiro e quarto maiores lucros trimestrais já registrados por bancos brasileiros na historia, segundo a consultoria Economática.

Além disso, nos 12 meses encerrados em setembro, as operações de crédito continuaram crescendo fortemente --entre 33 e 44 por cento-- e a inadimplência manteve-se controlada.   Continuação...