EUA apóiam, com reserva, mudanças no FMI

sexta-feira, 28 de março de 2008 15:48 BRT
 

Por Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos expressaram reservas nesta sexta-feira à reforma proposta para redistribuir o poder de voto dos países no Fundo Monetário Internacional (FMI), mas disse que a apoiaria por significar progresso.

"Embora a proposta não seja tão ambiciosa quanto gostaríamos, os EUA a apóiam como um passo na direção correta", afirmou à Reuters uma autoridade do Tesouro norte-americano.

"Nós temos nossas reservas, mas consultamos um número de países, particularmente os emergentes que são mal representados, e, dado seu apoio, nós decidimos que é melhor para a instituição seguir agora com esse passo." O conselho do FMI deve recomendar uma revisão nos poderes de voto de seus membros ainda nesta sexta-feira.

As mudanças propostas receberam o apoio de grandes economias emergentes como China, Índia, Coréia do Sul e Brasil, que ganharão poder de voto de acordo com uma nova fórmula para calcular as chamadas cotas.

Outros países, como Egito, Arábia Saudita e Rússia, devem se abster da votação desta sexta-feira porque as mudanças reduzem seu poder de voto, com ganho para pequenas nações européias como Luxemburgo.

Em vez de estender as exaustivas negociações, que duraram mais de um ano, a maioria dos países emergentes decidiram aceitar o que terão agora para depois pressionar por mais.

"Não estamos contentes com a proposta porque ela esta aquém do que esperávamos, ansiávamos e buscávamos", disse o diretor-executivo da Índia para o FMI, Adarsh Kishore, à Reuters. "Tínhamos duas escolhas: algum avanço ou nenhuma mudança."

Segundo Kishore, foi aceita uma importante demanda das economias emergentes --de que a nova fórmula de cálculo leve em conta o peso econômico em termos de paridade de poder de compra, e não apenas de taxas de câmbio.

Mesmo assim, Kishore reconheceu que as mudanças não são suficientes para restaurar a legitimidade do Fundo.

O conselho de diretores do FMI, constituído por ministros financeiros e chefes de bancos centrais dos 185 países membros do Fundo, vai votar as mudanças após a reunião de 11 e 12 de abril do FMI, em Washington.