28 de Março de 2008 / às 19:20 / em 9 anos

Dilma admite coleta de dados mas nega dossiê sobre FHC

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, um dos principais nomes do PT à sucessão presidencial, afirmou nesta sexta-feira que o governo montou "um banco de dados" com informações de despesas com cartões corporativos para atender possíveis pedidos legais, mas negou o caráter de dossiê aos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dilma relatou que a pasta dispõe de maior quantidade de informações do que foi divulgado até agora pela imprensa.

"O que foi feito foi um banco de dados. O que vai acontecer é que alguns vão falar que nós fizemos um dossiê, nós afirmamos que é um banco de dados", disse Dilma a jornalistas em Alagoas, onde acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em compromissos no Estado.

Ela confirmou que o levantamento contém dados de FHC. "Nós fizemos esse banco de dados com informações do nosso período e também estamos fazendo com informações do período anterior."

Reportagem da Folha de S.Paulo desta sexta-feira informa que Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, ordenou levantamento de dados para compor um suposto dossiê de despesas com cartões corporativos e contas tipo B (gastos reembolsados a servidores) do ex-presidente Fernando Henrique e de sua mulher, Ruth Cardoso.

Erenice é a segunda na hierarquia da Casa Civil. O ministério vai divulgar uma nota ainda nesta tarde em reação à reportagem do jornal. Tratando Erenice por "doutora", Dilma disse na entrevista que a secretária-executiva cuida da parte administrativa da Casa Civil. Dilma cobrou que quem divulgou as informações armazenadas na Casa Civil indique de quem recebeu.

"A quantidade de informações que tem o banco de dados é 20 mil vezes maior do que o dossiê", disse.

Segundo a ministra, essas informações estão armazenadas na Casa Civil tanto para atender a um possível requerimento por parte da CPI dos Cartões Corporativos quanto para fornecer ao Tribunal de Contas da União (TCU), que audita os gastos do governo.

NOTA ISENTA SECRETÁRIA

No final da tarde, a Casa Civil divulgou nota em que reitera a coleta de dados. "O que o jornal insiste em chamar de dossiê são fragmentos de uma base de dados em fase de digitação para alimentação do Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos)", diz o texto.

Segundo a Casa Civil, o sistema organiza os dados relativos aos gastos com suprimento de fundos (cartões e contas tipo B) desde 1998.

"Trata-se de uma ferramenta de gestão e não de um dossiê", diz a nota do governo, que lamenta o vazamento de dados sigilosos.

A nota refuta a afirmação do jornal de que a secretária-executiva foi responsável pelo dossiê --"pelo simples fato de que nunca existiu qualquer dossiê". Mas admite que ela é quem comanda a alimentação do sistema por competência institucional.

TARSO E OPOSIÇÃO

O ministro da Justiça, Tarso Genro, saiu em defesa da Casa Civil. "Não há dossiê. Há uma sindicância administrativa. Sindicância é um processo administrativo do Estado para verificar se um fato existe", explicou o ministro em Brasília. Para ele, a polêmica faz parte do debate político.

O vice-presidente José Alencar também negou a existência de qualquer dossiê e isentou de responsabilidade a ministra-chefe da Casa Civil. "O levantamento é normal acontecer. É uma tempestade em copo d'água."

Desde o último fim de semana, quando a revista Veja divulgou a existência dos dados sobre o período FHC, o governo nega a existência do dossiê, mas admite ter levantado as informações.

A CPI do Congresso, responsável por apurar possíveis desvios com essas despesas, deve investigar os gastos do governo Lula e de Fernando Henrique.

A reportagem da Folha deu nova munição à oposição para chamar Dilma a depor na CPI. Tentativa neste sentido foi derrubada esta semana por governistas. A oposição também já começa a cobrar a demissão de Dilma.

"A ministra a meu ver virou um pato manco: autoridade que, por perder a autoridade, se arrasta no cargo e depois cai", disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

Já o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que é precipitado defender a demissão. "É preciso que existam maiores esclarecimentos."

Senadores oposicionistas declararam que a suspeita contra Erenice lembra o caso do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que em 2006 perdeu o cargo após autorizar a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira.

Nesta semana, o ex-presidente Fernando Henrique colocou os gastos dos cartões de seu período à disposição da CPI e cobrou a mesma atitude de Lula. A CPI foi criada depois de denúncias contra mau uso de verbas dos cartões por ministros do atual governo.

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