March 28, 2008 / 4:55 PM / 9 years ago

Dilma admite coleta de dados e nega dossiê sobre despesas de FHC

3 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, um dos principais nomes do PT à sucessão presidencial, afirmou nesta sexta-feira que o governo montou "um banco de dados" com informações de despesas com cartões corporativos para atender possíveis pedidos legais, mas negou o caráter de dossiê aos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A declaração, segundo a rádio CBN, foi feita em Recife (PE), de onde a ministra seguiu para Alagoas, onde a comitiva presidencial cumpre agenda durante o dia.

Reportagem da Folha de S.Paulo desta sexta-feira informa que Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, ordenou levantamento de dados para compor um suposto dossiê de despesas com cartões corporativos e contas tipo B (gastos reembolsados a servidores) do ex-presidente Fernando Henrique e de sua mulher, Ruth Cardoso.

Erenice é a segunda na hierarquia da Casa Civil. O ministério vai divulgar uma nota ainda nesta tarde em reação à reportagem do jornal.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, saiu em defesa da Casa Civil. "Não há dossiê. Há uma sindicância administrativa. Sindicância é um processo administrativo do Estado para verificar se um fato existe", explicou o ministro em Brasília.

O vice-presidente José Alencar também negou a existência de qualquer dossiê e isentou de responsabilidade a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "O levantamento é normal acontecer."

Desde o último fim de semana, quando a revista Veja divulgou os dados, o governo nega a existência do dossiê, mas admite ter levantado as informações.

A CPI do Congresso, responsável por apurar possíveis desvios com essas despesas, deve investigar os gastos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os de Fernando Henrique.

A reportagem da Folha deu nova munição à oposição para chamar Dilma a depor na CPI. Tentativa neste sentido foi derrubada esta semana por governistas. A oposição também já começa a cobrar a demissão de Dilma.

"A ministra a meu ver virou um pato manco: autoridade que, por perder a autoridade, se arrasta no cargo e depois cai", disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

Já o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que é precipitado defender a demissão. "É preciso que existam maiores esclarecimentos."

Senadores oposicionistas lembraram que a suspeita contra Erenice lembra o caso do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que em 2006 perdeu o cargo após autorizar a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira.

Reportagem de Carmen Munari

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