Anistia critica uso de trabalho forçado em canaviais do país

quarta-feira, 28 de maio de 2008 10:43 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Anistia Internacional criticou nesta quarta-feira, em seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, a exploração de trabalho forçado em canaviais do Brasil.

"Foram denunciados casos de exploração do trabalho e trabalho forçado em muitos Estados, entre outros no setor de cana-de-açúcar que apresentava rápido crescimento", afirma o documento da entidade de defesa dos direitos humanos, que cita alguns casos de trabalho forçado em canaviais denunciados por autoridades do país.

"Uma comissão do Senado acusou os fiscais de exagerarem sobre as péssimas condições de trabalho. Como consequência disso, o Ministério do Trabalho suspendeu temporariamente as atividades da equipe de fiscais, temendo que as acusações minassem a credibilidade de seu trabalho", afirma a Anistia.

"As inspeções foram retomadas em outubro (de 2007)."

Por outro lado, a organização aponta a adoção de medidas, por parte do governo, para tentar melhorar as condições de trabalho nos canaviais, como a promessa do governo federal de criar um sistema de credenciamento social e ambiental para combater o problema.

O etanol tem sido um dos expoentes da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem defendido em foros internacionais a ampliação do uso de biocombustível feito de cana-de-açúcar como uma das formas de amenizar os efeitos do aquecimento global.

O etanol, no entanto, tem recebido críticas no exterior sob o argumento de que a expansão dessa lavoura seria responsável pela alta nos preços do alimento e pela elevação do desmatamento no Brasil.

O documento faz ressalvas também ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal aposta do governo Lula. Segundo a Anistia Internacional, "as ONGs brasileiras expressaram sua preocupação com a repercussão de algumas medidas, como a abertura de estradas e a construção de represas próximas a terras indígenas", afirma a Anistia.

O relatório reiterou ainda as críticas à falta de punição a violadores dos direitos humanos no país, assim como denunciou a violência policial, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

(Por Eduardo Simões)