Questionada pela CVM, Oi nega compra da Brasil Telecom

sexta-feira, 28 de março de 2008 19:14 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Ainda que admita que "obstáculos relevantes estejam próximos de serem superados", o grupo Oi negou nesta sexta-feira, em comunicado ao mercado, que as negociações para a compra da Brasil Telecom estejam finalizadas.

A companhia divulgou nota em resposta a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já que notícias do fechamento do negócio estavam na imprensa nesta manhã com detalhes do acordo, ainda que sem fonte oficial. Como as empresas ainda não haviam divulgado nenhuma informação aos acionistas, a autarquia questionou a veracidade das reportagens. No comunicado, a Oi afirma que as negociações para a compra do controle da Brasil Telecom "continuam, sem, no entanto, terem sido concluídas". Na manhã desta sexta-feira, a assessoria de imprensa da Oi havia confirmado o acordo à Reuters, por telefone.

Ao longo desta sexta-feira, as ações das duas companhias estiveram entre as maiores altas da Bovespa. Os papéis da Brasil Telecom lideraram as altas do dia, com elevação de 8,52 por cento, a 19,48 reais. Já as preferenciais da Oi subiram 6,06 por cento, a 45,50 reais.

De acordo com a nota, a Oi tomou conhecimento de que "obstáculos negociais relevantes existentes entre os acionistas controladores da Brasil Telecom estariam próximos de serem superados". Caso isso se confirme, diz a empresa, "as negociações deverão se intensificar e tomar nova dinâmica para ultimar a pretendida aquisição".

A empresa ressalta, no entanto, que ainda não existe acordo sobre os termos da transação e que nenhum documento preliminar foi assinado entre as operadoras.

Os rumores de uma fusão entre Oi e Brasil Telecom se intensificaram em janeiro deste ano. As companhias admitiram as conversas e a Oi já informou anteriormente que a compra do bloco de controle pode ficar entre 4,5 bilhões e 5,2 bilhões de reais.

A união das duas operadoras ainda depende de um decreto presidencial que altere o atual Plano Geral de Outorgas (PGO), que hoje impede que uma companhia detenha duas concessões públicas de telefonia, o que seria o caso nessa fusão.

O governo federal já deu demonstrações públicas de apoiar a fusão, como forma de criar uma companhia nacional forte para fazer frente ao avanço de grupos multinacionais como Telefônica e Telmex.

(Por Taís Fuoco; edição de Alexandre Caverni)