July 28, 2008 / 7:06 PM / 9 years ago

Rio pode ter força-tarefa nas eleições

4 Min, DE LEITURA

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O poder público tomará medidas contra a ingerência do tráfico de drogas e de milícias no processo eleitoral do Rio de Janeiro, assegurou nesta segunda-feira o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto.

Discute-se a possibilidade da criação de uma força-tarefa integrada pela Polícia Federal e pela Força Nacional de Segurança para atuar na campanha eleitoral do Rio.

Britto e o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro, Roberto Wider, terão uma reunirão na quarta-feira, em Brasília, quando discutirão um plano de ação.

"Na quarta-feira, o presidente do TRE do Rio fará um levantamento do que houve e vai sugerir providências eficazes, que serão tomadas", declarou Ayres Britto a jornalistas depois de discutir o assunto com o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

No último sábado, repórteres e fotógrafos dos jornais O Globo, Jornal do Brasil e O Dia, que acompanhavam o candidato a prefeito Marcelo Crivella (PRB), na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio, foram ameaçados por homens armados com fuzis.

Os fotógrafos registraram traficantes armados com fuzis e metralhadoras e foram obrigados a apagar as imagens. A delegacia da Penha abriu inquérito para apurar o caso e o delegado Felipe Antônio disse que os traficantes poderão ser indiciados por formação de quadrilha e porte ilegal de armas.

O TRE do Rio tem recebido sucessivas denúncias de candidatos que estão sendo impedidos de fazer campanha em favelas e comunidades carentes do Estado por determinação de traficantes e milicianos.

Nesta segunda-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a Força Nacional de Segurança Pública pode ser acionada se houver um pedido formal da Justiça Eleitoral ou do governo do Rio.

Sérgio Cabral Filho (PMDB), governador do Estado, disse que a avaliação é da Justiça eleitoral. "Quem deve avaliar isso é a autoridade eleitoral, o TRE e o TSE. Tudo que vier para somar e dar tranquilidade é sempre bem vindo", declarou Cabral a jornalistas após inaugurar uma unidade médica na zona norte da cidade.

"Se a autoridade eleitoral avaliar a necessidade da força-tarefa, não vejo nenhum problema da minha parte", acrescentou.

O presidente do TRE do Rio acredita que em princípio não há necessidade de uma força-tarefa no Estado, mas entende que só depois de se reunir com as autoridades policiais do Estado poderá ter uma posição conclusiva.

"Há problemas reais e problemas noticiados. Por isso vamos fazer uma apuração para ter elementos concretos e saber o que fazer a partir do TRE", afirmou.

Roberto Wider disse que já identificou ao menos sete currais eleitorais na cidade do Rio de Janeiro. Ele informou que as favelas da Carobinha, Rio das Pedras, Morros de Jacarepaguá e comunidades de Santa Cruz estão sob o comando de milícias, ao passo que as favelas da Rocinha, Vidigal e Vila Cruzeiro estão sob a liderança de traficantes.

"A questão do tráfico e das milícias não é nova. Agora está mais latente que eles queiram trazer foras da lei para o governo", disse Wider a jornalistas.

Reportagem de Fernando Exman e Rodrigo Viga Gaier

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