April 28, 2008 / 7:42 PM / 9 years ago

Dólar sobe 1,3% com dados do BC e disputa por Ptax

4 Min, DE LEITURA

Por Fabio Gehrke

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de mais de 1,3 por cento nesta segunda-feira, refletindo o fluxo de saída da moeda após a divulgação de dados do Banco Central e o início da disputa pela Ptax.

A moeda norte-americana subiu 1,32 por cento, a 1,689 real. Apesar da recuperação desta sessão, o dólar ainda acumula baixa de 3.65 por cento em abril.

Segundo Rodrigo Nassar, gerente da mesa de câmbio da Hencorp Commcor Corretora, o mercado cambial está repercutindo os números divulgados pelo Banco Central sobre as transações correntes do país.

"O dólar está surpreendendo hoje, ignorando o bom humor lá de fora. É o fluxo de saída apoiado pelos números da conta corrente", afirmou Nassar.

As bolsas norte-americanas, assim como principal índice acionário da bolsa paulista, operavam em território positivo.

Dados divulgados pelo BC nesta segunda-feira mostraram que o país registrou em março um déficit em transações correntes de 4,43 bilhões de dólares, frente ao superávit de 235 milhões de dólares no mesmo mês em 2007. Foi a maior saída liquida mensal para meses de março desde 1947.

Para os analistas Luis Cezario e Paulo Leme do Goldman Sachs, os dados da conta corrente mostram que a principal bússola para o real será a conta de capitais, que deverá cair vertiginosamente frente aos recordes registrados em 2007.

"Isto significa que apesar de continuarmos vendo um real altista no curto prazo, nós acreditamos que o prolongado ciclo de apreciação do real está perto de seu fim", afirmaram os analistas em relatório.

Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, apontou que o início da disputa pela Ptax, na virada do mês, também influenciou na alta do dólar nesta segunda-feira.

A última Ptax do mês é utilizada para a liquidação dos contratos de dólar futuros na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

"O mercado já está se posicionando para Ptax. Existe uma pressão para elevar a cotação", disse Arruda, lembrando que muitos bancos possuem posições compradas, revelando uma aposta na alta da divisa estrangeira.

Arruda destacou, porém, que a alta da sessão desta segunda-feira não configura uma inversão de tendência da moeda, mas sim um movimento pontual, principalmente com a "possibilidade de mais cortes (nos juros) externos e de aumentos internos".

Na quarta-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve irá se reunir para decidir os rumos do juro dos Estados Unidos. O banco central norte-americano já cortou a taxa básica do país em 3 pontos percentuais desde meados de setembro, para 2,25 por cento ao ano.

Na última hora de negócios, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista, definindo a taxa de corte a 1,6810 real.

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