ANÁLISE-Usinas de cana vislumbram tempos difíceis à frente

terça-feira, 28 de outubro de 2008 14:23 BRST
 

Por Inaê Riveras

SÃO PAULO, 28 de outubro (Reuters) - O aperto de crédito resultante da crise financeira global é o mais novo golpe sofrido pela indústria de álcool e açúcar do Brasil, que tem sofrido com margens de lucro em queda nos últimos dois anos.

As perspectivas brilhantes vistas há alguns anos parecem ter sido deixadas para trás de acordo com produtores e analistas que participam da Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Álcool.

Eles ainda acreditam no potencial do setor para o longo prazo, mas estimam que as dificuldades vão se aprofundar no curto prazo.

"O setor já estava em sua própria crise antes dos distúrbios de crédito, devido à oferta excessiva (de açúcar), à queda dos preços e à elevação dos custos dos insumos", disse José Pessoa de Queiroz Bisneto, presidente do grupo de usinas Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool.

O grupo está em negociações para vender sua participação de 50 por cento em uma usina de Penápolis (SP), mas acredita que o acordo é improvável por enquanto devido aos problemas financeiros.

"No momento existem mais pessoas que querem vender (empresas), e menos pessoas que querem comprar", disse ele, explicando que a chegada de grandes grupos ao setor elevou os preços de equipamentos, terras e insumos, consumindo a maior parte das margens de lucro dos grupos.

A Cosan (CSAN3.SA: Cotações) (CZZ.N: Cotações), uma das maiores empresas de açúcar e etanol do Brasil, pode ser um dos grupos interessados em oportunidades de aquisições durante a crise, afirmou o diretor vice-presidente geral, Pedro Mizutani.

"A Cosan sempre cresceu em crises", disse ele, afirmando que os planos de investimento para 2009 serão mantidos.   Continuação...