Mantega ouve do setor siderúrgico garantia de que não falt aço

sexta-feira, 28 de março de 2008 19:25 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fechou uma semana de debates sobre a demanda interna ouvindo do setor siderúrgico que não faltará aço no país.

"A indústria siderúrgica está reagindo muito bem... o setor está habilitado para atender o crescimento da demanda dos próximos cinco anos", relatou Mantega a jornalistas após encontro com o conselho diretor do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS).

Ele disse ter recebido garantias de que as siderúrgicas vão dar prioridade ao mercado interno. "Se for o caso, eles podem regular, alocando mais no mercado doméstico", afirmou Mantega, ponderando que as empresas também vão continuar buscando volumes maiores de exportação.

Mantega disse ainda que manisfestou preocupação com os reflexos do aumento do preço do aço sobre a cadeia produtiva. Segundo ele, essa alta foi responsável por fazer a inflação no Brasil atingir o centro da meta.

Nesta sexta-feira, o diretor de comercialização para mercado interno da Usiminas, Idalino Ferreira, disse que a empresa deve fazer novo reajuste de preços de aço no segundo trimestre, depois de aumentos de 9 a 11 por cento promovidos nos primeiros três meses deste ano.

O IBS ressaltou em nota que, na conversa com o ministro, informou "não existir qualquer possibilidade de ocorrer problemas no abastecimento do mercado interno, tendo em vista que a capacidade de produção do setor é cerca de 60 por cento superior à demanda interna".

O instituto reiterou que a produção de aço do setor deve crescer de 33,8 para 37,6 milhões de toneladas. "Esse crescimento deve superar em mais de 30 por cento o aumento previsto para o consumo doméstico", acrescentou a nota.

Considerando os projetos em andamento, o setor tem investimento total de 26 bilhões de dólares para ampliar a capacidade produtiva até 2012.

Ao longo da semana, Mantega conversou com representantes do setor automotivo e dos bancos, por temer que o avanço do crédito poderia gerar um descompasso entre oferta e demanda, em um momento em que o Banco Central dá cada vez mais sinais de que pode elevar o juro básico para conter a inflação.

(Texto de Daniela Machado; Edição de Alexandre Caverni)