Economistas começam a elevar previsão de IPCA de maio

quarta-feira, 28 de maio de 2008 12:16 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Os alimentos continuam exercendo a principal pressão sobre a inflação, de acordo com dois indicadores divulgados nesta quarta-feira. Em São Paulo, eles tiveram a maior variação de alta desde 2003 e no IPCA-15 responderam por metade da taxa geral.

A perspectiva de que esse impacto não arrefecerá no curto prazo e uma surpresa com as tarifas bancárias já levaram alguns economistas a elevar a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês, de 0,60 para 0,63 por cento.

No IPCA-15, considerado uma prévia do IPCA, os alimentos diminuíram ligeiramente o ritmo de alta --para 1,26 por cento em maio ante 1,28 por cento em abril-- em razão da queda nos custos de pescados, aves e ovos, frutas e, ainda, cereais, leguminosas e oleaginosas.

Mas produtos em entresafra, ou que reagem ao clima, e os que seguem as cotações internacionais de commodities mantiveram-se em forte alta, como carnes, farinhas, panificados, tubérculos, raízes e legumes, além de hortaliças e verduras.

Assim, a alta do grupo Alimentação foi responsável por 0,28 ponto percentual da variação de 0,56 por cento do IPCA-15 de maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A pressão de alimento deve piorar no final do mês (IPCA de maio), porque não vemos arrefecimento de produtos importantes como o arroz", afirmou Priscila Godoy, economista do ABN Amro, ao comentar a elevação do prognóstico para o IPCA do mês.

"A alta dos alimentos vem principalmente dos tradables (comercializáveis)", que são os produtos que acompanham o cenário externo, em que as cotações das commodities seguem elevadas.

Devem continuar acelerando também os preços dos alimentos in natura --que haviam caído recentemente-- e das carnes --que costumam subir nesta época do ano.   Continuação...