Mitsubishi Heavy lançará projeto de US$1 bilhão para novo jato

sexta-feira, 28 de março de 2008 10:14 BRT
 

Por Yuko Inoue

TÓQUIO, 28 de março (Reuters) - A Mitsubishi Heavy Industries (7011.T: Cotações) afirmou que lançará um projeto de 1 bilhão de dólares para a construção do primeiro jato regional japonês de passageiros, uma grande aposta num mercado dominado pela brasileira Embraer (EMBR3.SA: Cotações) ERJ.N e pela canadense Bombardier BBDb.TO.

A maior fabricante japonesa de maquinário pesado passou muitos meses sondando companhias aéreas para averiguar se haverá demanda suficiente para o jato, que terá capacidade entre 70 e 90 passageiros e será usado para rotas de curtas e médias distâncias.

O projeto ganhou um voto de confiança na quinta-feira quando a Nippon Airways (9202.T: Cotações) afirmou que comprará até 25 jatos, a primeira companhia aérea a se comprometer publicamente com o projeto. A Japan Airlines Corp 9205.T também afirmou que está considerando pedidos.

A Mitsubishi Heavy não é a única a tentar entrar num mercado visto com grande potencial de crescimento.

A russa United Aviation se uniu a Boeing (BA.N: Cotações) para montar um novo Superjet 100, com capacidade entre 74 e 95 passageiros, enquanto a chinesa AVIC I está preparando o primeiro avião regional do país, batizado de ARJ21.

"Há demanda para outros aviões, mas a competição é dura", afirmou Takeshi Osawa, gerente sênior de fundos na Norinchukin Zenkyoren Asset Management.

Uma subsidiária da Mitsubishi Heavy se preparará para analisar o projeto em 1o de abril. O capital inicial será de 3 bilhões de ienes (30 milhões de dólares) com expectativa de aumentá-lo para cerca 100 bilhões de iene em um ano, dos quais 60 por cento serão fornecidos pela própria Mitsubishi Heavy.

Os custos de desenvolvimento devem ficar entre 150 bilhões e 180 bilhões de ienes, com parte sendo bancada pelo governo japonês.

A Mitsubishi Heavy espera que o jato esteja voando em 2013 e prevê venda de mil unidades entre os próximos 20 a 30 anos. A companhia informou que espera perder dinheiro com a operação nos próximos 10 anos, durante os quais planeja contar com áreas de alto retorno, como reatores nucleares, para compensar os prejuízos.

(Reportagem de Yuko Inoue e Nathan Layne)