October 28, 2007 / 1:30 PM / 10 years ago

Argentinos devem votar pela continuidade de crescimento

5 Min, DE LEITURA

Por Hilary Burke

BUENOS AIRES (Reuters) - Os argentinos vão às urnas neste domingo para escolher um novo presidente, e a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner é a favorita para suceder seu marido em uma rara passagem de poder democrática entre cônjuges.

Muitos argentinos acreditam que o presidente de centro-esquerda Néstor Kirchner tirou o país de uma crise econômica grave e usou o crescimento de 8 por cento ao ano para criar empregos, aumentar salários e expandir benefícios previdenciários.

Senadora veterana, Fernández atuou como a mais alta assessora de Kirchner durante sua Presidência de quatro anos. Os eleitores, cansados de altos e baixos, esperam que ela sustente a bonança que ele administrou, mesmo que a alta da inflação e a crise energética sejam motivo de preocupação.

"Voto em Cristina Kirchner para aprofundar as mudanças que começaram em 2003 e que serviram claramente à maioria do povo, e para que passemos a uma verdadeira etapa de dignidade", disse Luciano Alvarez, assistente social de 33 anos.

Se ganhar, Fernández será a primeira mulher eleita presidente na história da Argentina.

Ela conseguirá escapar de um segundo turno se conquistar pelo menos 45 por cento dos votos no domingo, ou mais de 40 por cento com uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o adversário mais próximo.

Pesquisas recentes mostram Cristina com entre 39,5 por cento e 49,4 por cento dos votos. A ex-deputada e militante contra a corrupção Elisa Carrió está atrás, com entre 17 e 23,5 por cento das intenções de voto. Roberto Lavagna, ministro da Economia de Kirchner até o final de 2005, aparece em terceiro lugar, com entre 10 e 19 por cento.

Todos os três candidatos são de centro-esquerda, mostrando que a maioria dos argentinos rejeitam as políticas de livre mercado dos anos de 1990, consideradas responsáveis pelo colapso econômico de 2001-2002.

Cristina seria mais uma entre os vários líderes de esquerda da América do Sul. Ela deve continuar a amizade com o presidente socialista da Venezuela, Hugo Chávez, mas é vista, assim como seu marido, como mais moderada.

Campanha Calma

Foi uma campanha presidencial feita sem alarde, sem primárias, sem debates de candidatos e sem apresentações concretas de programas partidários. As pesquisas também indicam que a maioria da população acredita que Cristina tem a vitória garantida.

A primeira-dama disse não acreditar em apatia eleitoral, afirmando que a estabilidade política e econômica trouxeram a serenidade.

"Creio que os argentinos estão calmos pela primeira vez em um bom tempo, em um país em que as eleições do passado pareciam uma roleta russa", disse Cristina em discurso na semana passada.

Entretanto, muitos argentinos estão preocupados com o aumento da inflação e acreditam que o governo interferiu no trabalho do instituto nacional de estatísticas para maquiar dados. Economistas do setor privado disseram que a taxa de inflação real é o dobro dos 8,6 por cento divulgados pelo governo para os 12 meses até setembro.

Uma crise energética também prejudicou a imagem do governo. Durante um inverno mais frio do que o normal, a Argentina racionou eletricidade e gás natural para a indústria a fim de garantir aquecimento nas casas, gerando apreensão de escassez no futuro.

Os economistas também estão preocupados sobre a elevação drástica dos gastos do governo, as tarifas de serviços públicos deprimidas e questões financeiras pendentes, como o default de dívida de 6,3 bilhões de dólares junto ao Clube de Paris.

Os índices de pobreza caíram muito desde que Kirchner assumiu o poder em maio de 2003, mas quase um quarto dos argentinos ainda é considerado pobre.

"Nada mudará na Argentina, é o mesmo com Cristina governando ou com o presidente Kirchner", disse Roberto Moran, 59, vendedor ambulante. "Para um país tão rico em recursos, temos muitas carências não atendidas."

Reportagem adicional de Katie Paul e Rodrigo Martinez

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