Órgão de direitos humanos da ONU aborda mudanças climáticas

sexta-feira, 28 de março de 2008 11:52 BRT
 

GENEBRA (Reuters) - As mudanças climáticas podem ferir os direitos humanos de pessoas que moram em pequenos Estados-ilha, em áreas costeiras e em partes do mundo sujeitas a secas e enchentes, afirmou na sexta-feira o Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em sua primeira manifestação sobre o assunto, esse fórum da ONU que reúne 47 países sancionou, por consenso, uma resolução afirmando que o aquecimento global poderia ameaçar as formas de sustento e o bem-estar de muitas das populações vulneráveis do planeta.

O Conselho dos Direitos Humanos deu apoio a uma proposta das Maldivas, de Comores, de Tuvalu, da Micronésia e de outros países para a realização de um "estudo analítico e detalhado sobre a relação entre as mudanças climáticas e os direitos humanos."

Esse estudo deve ser comandado pelo Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

"Até agora, o discurso global sobre as mudanças climáticas tendeu a centrar-se nos impactos físicos e naturais das mudanças climáticas", afirmou em uma reunião do fórum Abdul Ghafoor Mohamed, embaixador das Maldivas junto à ONU.

"O impacto imediato e profundo do fenômeno sobre os seres humanos do mundo todo vem sendo em grande parte negligenciado", disse. "Chegou o momento de corrigir esse desequilíbrio dando destaque à face humana das mudanças climáticas."

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez da luta contra o aquecimento da Terra uma de suas prioridades e encorajou todas as agências do organismo internacional a incorporar esses esforços a suas missões.

Especialistas de vários países alertaram que as consequências previstas para as mudanças climáticas --entre as quais a elevação do nível dos oceanos e a intensificação de tempestades, secas e enchentes-- poderia fazer com que milhões de pessoas perdessem suas casas, suas fontes de alimento e suas fontes de água limpa.

No entanto, os diplomatas presentes na ONU ainda não tentaram incluir o direito à proteção contra os efeitos do aquecimento em um tratado internacional, como já se fez a respeito de outros direitos sociais e econômicos.

Louise Arbour, ex-membro da Suprema Corte do Canadá, anunciou que não tentará continuar no cargo de alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos quando chegar ao fim seu atual mandato, no dia 30 de junho. O sucessor dela ainda precisa ser escolhido.

(Reportagem de Laura MacInnis)