Turquia diz que lançará missão contra curdos, EUA pedem diálogo

domingo, 28 de outubro de 2007 12:48 BRST
 

Por Thomas Grove

CIZRE, Turquia, 28 de outubro (Reuters) - A Turquia informou no domingo que uma solução militar ainda está entre as opções para lidar com separatistas curdos abrigados no norte do Iraque, enquanto Washington pediu que o país use o diálogo para evitar uma incursão que poderia desestabilizar a região.

As negociações entre a Turquia e o Iraque para evitar a ação militar turca no norte iraquiano entraram em colapso na noite de sexta-feira, com Ancara considerando as propostas de Bagdá como insuficientes.

A Turquia reuniu 100 mil soldados, com o apoio de jatos de combate, helicópteros armados e tanques na fronteira, para uma possível ofensiva contra os cerca de 3.000 rebeldes que usam o Iraque como base para ataques contra a Turquia.

"Podemos usar ou continuar a usar meios diplomáticos, ou recorrer a meios militares. Todas essas opções estão na mesa, por assim dizer", disse o ministro das Relações Exteriores, Ali Babacan, em comentários no canal de televisão iraniano Press TV.

Além das iniciativas diplomáticas, a Turquia usou uma retórica de linha-dura, vista como uma tentativa de pressionar os Estados Unidos e o Iraque a iniciarem uma ação. O primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, disse no sábado que uma operação militar poderá ser realizada a qualquer momento.

Ancara exigiu que o Iraque entregue todos os membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) baseados em seu território. O PKK é considerado como responsável por mais de 30 mil mortes desde o início de sua campanha separatista, em 1984.

Mas o governo central iraquiano tem pouco controle sobre a região semi-autônoma do norte do Iraque, administrada pelo governo Regional do Curdistão, cujo líder, Masoud Barzani, já prometeu que não entregará ninguém à Turquia.

"Não vou entregar ninguém para nenhum Estado regional, não importa o custo. Entretanto, não permitirei que membros do PKK usem a região de Curdistão como base ou para ameaçar a segurança da Turquia", disse Barzani em entrevista à rede de televisão Al Jazeera, no domingo. "Vou expulsá-los da região, mas não entregá-los."   Continuação...