Divergência em planos na Usiminas fez Vale sair, diz Agnelli

quarta-feira, 28 de maio de 2008 18:10 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 28 de maio (Reuters) - A venda da participação da Vale na Usiminas ocorreu devido a uma "divergência estratégica" entre as duas empresas, incluindo a decisão da siderúrgica de expandir a atuação em minério de ferro, afirmou o presidente da Vale (VALE5.SA: Cotações), Roger Agnelli, nesta quarta-feira.

Para ele, a Usiminas não teve a agressividade necessária no ambiente de demanda aquecida por aço no Brasil.

"A Usiminas deveria ser o cavalo branco do crescimento da siderurgia brasileira. Acho que ela, de alguma forma, foi um pouco lenta na sua estratégia", afirmou Agnelli a jornalistas, após participar de evento sobre a economia brasileira no Rio.

Ele comentou que atualmente o Brasil vive uma situação de escassez de aço e que a Usiminas poderia estar suprindo essa demanda.

Agnelli criticou ainda a decisão da empresa de investir na produção de minério de ferro, em detrimento da expansão da produção de aço.

"Não acho essa uma estratégia positiva para a Usiminas... desviar o foco da siderurgia para a mineração, apesar de nunca ter faltado minério para a Usiminas."

Agnelli afirmou que considera cumprido o seu papel na Usiminas e que vai aproveitar o capital da venda da participação da Vale na empresa para manter os investimentos em outras siderúrgicas.

O presidente da Vale afirmou que os acionistas com direito de preferência para comprar a participação da empresa na Usiminas, como a Nippon Steel (24,7 por cento das ações ordinárias), a caixa de previdência Usiminas (10,1) e o Grupo V/C, que une Votorantim e Camargo Correa (23,1), ainda não se manifestaram.

Procurada, a Usiminas informou que nenhum diretor estava imediatamente disponível para comentar as declarações de Agnelli.

(Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira)