28 de Dezembro de 2007 / às 11:06 / em 10 anos

Libertação de reféns das Farc começa nesta sexta-feira

Por Fabián Andrés Cambero e Luis Jaime Acosta

CARACAS/BOGOTÁ (Reuters) - A Venezuela inicia na tarde desta sexta-feira operação para libertar três reféns da guerrilha colombiana Farc, disse o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no final da noite de quinta.

A operação com três aviões e dois helicópteros, autorizada na quarta-feira pelo governo colombiano, levará representantes do Brasil, Argentina, Bolívia, Cuba, Equador e França para acompanhar a libertação.

"Amanhã, aproximadamente às três da tarde [17h30 em Brasília] decolam os helicópteros com suas tripulações para [a cidade colombiana de] Villavicencio", disse Chávez a jornalistas após recepcionar em Caracas o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, que participará da comitiva.

Chávez disse que irá a Santo Domingo, no sudoeste da Venezuela, para supervisionar pessoalmente a saída da primeira parte da missão. O presidente venezuelano disse ainda que os reféns serão levados para essa base após a libertação, mas não deu outros detalhes.

Bogotá e Caracas definiram para às 18h (21h em Brasília) de quinta-feira como "hora zero" para o início da operação humanitária, disse à Reuters o secretário de imprensa da Presidência da Colômbia, César Mauricio Velásquez.

Velásquez afirmou ainda que os dois países decidiram que a operação foi pautada para ser completada às 21h59 de domingo (pela hora de Brasília).

Chávez, entretanto, negou que haja um período pré-definido. "Não sabemos de nenhum prazo até agora, não há nenhum acordo," afirmou.

A Cruz Vermelha Internacional confirmou sua participação na operação e parentes dos três reféns viajaram a Caracas para recebê-los.

REFÉNS

"É um sonho feito realidade. Vou abraçá-la e dizer-lhe obrigada por ter sido forte e por ter me dado esta oportunidade de abraçá-la outra vez", disse Maria Fernando Perdomo, filha da ex-deputada Consuelo González, sequestrada desde 2001, a jornalistas antes de embarcar.

Os outros dois reféns são Clara Rojas, que era assessora da candidata a presidente Ingrid Betancourt (ambas sequestradas desde 2002), e Emmanuel, filho de Clara nascido no cativeiro, três anos atrás.

A libertação é um gesto de "desagravo" da guerrilha Farc ao presidente Chávez, que neste ano tentou mediar a troca de 47 reféns da guerrilha por cerca de 500 militantes presos. Apesar de ter sido afastado da negociação pelo governo colombiano, Chávez reiterou sua intenção de continuar colaborando para uma solução pacífica da guerra civil colombiana.

Por outro lado, disse que ainda é cedo para falar em normalização das relações entre Venezuela e Colômbia, desgastadas desde que Chávez foi afastado da mediação. "Não estamos prontos para esquecer neste momento, será preciso tempo, serão precisos gestos, mas nós ratificamos nossa maior vontade de manter o mais alto nível das relações."

O assessor especial da Presidência do Brasil para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, assegurou que as Farc provavelmente libertarão Betancourt e outros reféns depois da entrega dos três cativos.

(Reportagem adicional de Nelson Bocanegra e Raymond Colitt)

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