28 de Abril de 2008 / às 20:22 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Receita da Petrobras pode subir até R$6bi com ajuste

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Não adiantou o presidente Lula negar. No mercado, a expectativa por um ajuste nos preços da gasolina e do diesel pela Petrobras ganhou força após as declarações do presidente na semana passada [ID:nN25366106] e a aposta agora gira em torno do percentual e do dia do anúncio.

Segundo cálculos do Banif, uma alta de 5 a 7 por cento da gasolina e do diesel poderiam significar um incremento de receita da ordem de 5 a 6 bilhões de reais no ano para a estatal, levando em conta que o banco de investimentos projeta o aumento apenas para o segundo semestre.

Certos de que o governo tentará preservar o máximo possível o impacto na inflaço, analistas não se iludem em um desejado repasse de toda a defasagem acumulada no ano, hoje estimada em mais de 20 por cento.

“Estamos esperando sim (o aumento), se vier reajuste a cotação das ações vai refletir isso, mas o mercado pode ficar desestimulado se for de apenas 5 por cento como está de falando”, disse o analista do Banco do Brasil Investimentos Nelson Rodrigues de Matos.

Para a gasolina, as projeções de aumento apontam para algo entre 5 e 7 por cento, o mesmo estimado para o diesel, que no entanto poderia ficar de fora nesse momento devido ao seu peso na economia.

Tanto no Banif como no Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Município do Rio de Janeiro ainda existem dúvidas em relação ao ajuste do diesel.

Para o presidente dos representantes dos postos da cidade, Manuel Fonseca da Costa, o fato do diesel conter biodiesel pode fazer com que o governo conceda ajuste menor do que o da gasolina, estimado por ele em torno dos 5 a 7 por cento.

“Como ficaria o custo do transporte se o diesel subisse?”, disse Costa à Reuters, ressaltando que após a negativa de Lula o governo não deu mais qualquer sinalização de alterar o preço dos combustíveis.

Ele informou que se nas refinarias o aumento ficar dentro do previsto --de 5 a 7 por cento-- nos postos o aumento será de cerca de 4 por cento.

Segundo o analista do BB Investimentos, o diesel em abril registra uma defasagem média de 22,5 por cento e a gasolina de 18,50 por cento, levando em conta as cotações da gasolina norte-americana até 23 de abril.

“Nesse dia (23), a defasagem do diesel era de 24 por cento e da gasolina de 22,60 por cento”, disse Costa.

A defasagem da gasolina e do diesel no Brasil oscila tanto pelas mudanças nas cotações de mercado quanto pela variação do dólar.

“O dólar ajudou muito desde o final de 2006 até o ano passado, mas este ano o petróleo disparou muito e o dólar já não pode ajudar tanto, não deve cair muito de onde está”, explicou o analista.

Desde o início do ano o petróleo tem disparado no mercado internacional, rondando os 120 dólares o barril. A gasolina e o diesel representam 70 por cento da receita da Petrobras, que divulga o balanço do primeiro trimestre no dia 12 de maio onde mostrará o reflexo da defasagem nos seus números.

“Ainda estamos revisando, mas com certeza vai refletir mais do que no ano passado, quando a média ficou acima do preço lá fora”, afirmou uma analista da equipe do Banif.

Ela explicou que mesmo levando em conta as explicações da estatal, de que a gasolina norte-americana tem mais qualidade do que a brasileira, “o que daria um desconto de 10 por cento no preço, segundo a companhia”, a Petrobras está deixando de ganhar dinheiro este ano e em algum momento as ações serão mais punidas.

Na visão do Banif, a empresa tem sido salva de maiores perdas no valor de mercado devido aos anúncios e rumores de descobertas de novas áreas de exploração no país na área pré-sal.

“Se passar um período com um pouco menos de rumor (sobre descobertas) e não tiver reajsute, todo mundo fica muito preocupado com receita, porque a Petrobras precisa fazer caixa para investir”, destacou a analista.

A Petrobras tem um ambicioso plano de investimento de 112, 4 bilhões de dólares até 2012, que está sendo revisado após a descoberta de reservas gigantes abaixo da camada de sal em águas ultraprofundas da costa brasileira.

Para o analista do BB Investimentos, a estatal só teria como escapar de um ajuste se houvesse perspectiva de queda no preço do petróleo, o que não parece ser a tendência, afirmou.

“Quando o presidente falou de defasagem em público, a gente achou que ia ter ajuste, onde há fumaça há fogo”, aposta o analista.

Edição de Marcelo Teixeira

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