28 de Fevereiro de 2008 / às 19:08 / 9 anos atrás

AmBev antecipa ampliação no Sudeste para atender demanda

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A AmBev vai antecipar a ampliação de sua capacidade instalada no Sudeste para atender o crescimento da demanda por cerveja na região, antes da planejada construção de uma unidade produtiva no Norte.

"A gente vinha com uma perspectiva de que o crescimento na região (Norte) vinha muito mais forte... No último quadrimestre, o volume no Sul e no Sudeste cresceu muito. Passamos a considerar muito mais importante uma expansão no Sudeste", afirmou a jornalistas o presidente da AmBev, Luis Fernando Edmond.

O crescimento orgânico das vendas de cerveja da AmBev no Brasil foi de 10,2 por cento no ano passado. A empresa não segmenta os dados por região do país.

"Estamos avaliando o que seria feito. Hoje está 51 por cento para uma fábrica nova e 49 por cento para alguma ampliação", acrescentou.

Em novembro passado a AmBev anunciou que estudava a localização para uma nova unidade de produção no Norte --e que a decisão seria anunciada ainda em 2007, o que não aconteceu.

"Vamos com certeza precisar de capacidade no Norte e deveremos iniciar isso até o final do ano. Antes prevíamos que isso iria ocorrer no início de 2008."

Segundo Edmond, se a AmBev não tivesse adquirido a cervejaria Cintra, há quase um ano, a empresa não conseguiria "ter atendido" o Sudeste no ano passado. A AmBev assumiu duas fábricas da Cintra. A de Piraí, no Rio de Janeiro, deve ser a opção caso a AmBev opte por ampliar uma existente. Já uma fábrica nova tem chance maior "de ir para Minas Gerais".

A AmBev calcula que precisa adicionar de 1 milhão a 2 milhões de hectolitros por ano à sua capacidade no Brasil.

O presidente da AmBev não quis especificar o valor do investimento para ampliar a capacidade no Sudeste, mas lembrou que o plano revelado em 2007 prevê investimento anual de 1 bilhão de reais em capacidade no mercado brasileiro.

ARGENTINA E BOLÍVIA

A AmBev também vê necessidade de expandir capacidade em outros países em que tem presença. "A América do Sul vem crescendo igual ou até mais rápido que o Brasil", comentou Edmond.

"Nós hoje temos capacidade instalada para atender toda a demanda (na América do Sul), mas isso não é economicamente a melhor opção", prosseguiu, referindo-se aos custos logísticos para se transportar a cerveja de um país para outro.

Ele não quis dar mais detalhes sobre o plano de expansão de capacidade fora do Brasil, embora tenha mencionado dois países foco de atenção: Argentina e Bolívia.

Nesta quinta-feira, a AmBev anunciou queda de 4,1 por cento no lucro do quarto trimestre ante igual período de 2006. Mas a geração de caixa subiu 20,2 por cento e agradou o mercado.

As ações da AmBev subiam 2,5 por cento na Bolsa de Valores de São Paulo nesta tarde, enquanto o Ibovespa tinha alta de apenas 0,24 por cento.

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