29 de Fevereiro de 2008 / às 00:10 / 9 anos atrás

Vale tem 5o ano seguido de lucro recorde em 2007

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O lucro da Vale cresceu 29,4 por cento no quarto trimestre, para 4,4 bilhões de reais, ajudando a maior mineradora do mundo a registrar em 2007 o quinto ano de lucro recorde da companhia, de 20 bilhões de reais.

Maior produção e o aumento do preço do minério de ferro em 9,5 por cento no ano passado foram fatores decisivos para o que a empresa chamou de um balanço "saudável com endividamento de baixo risco".

Em contrapartida, a valorização do real, da ordem de 7 por cento no último trimestre do ano, e a queda de alguns metais não-ferrosos, como o níquel e o cobre, contribuíram para uma geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortizações) menor do que o esperado.

O Ebitda da empresa no quarto trimestre ficou 19 por cento abaixo do mesmo período do ano anterior, caindo para 6,4 bilhões de reais. Segundo a Vale, isso aconteceu principalmente pela queda do lucro operacional no segmento de metais não ferrosos.

"A redução do Ebitda da empresa é consequência principalmente da redução do lucro operacional verificado no segmento de metais não-ferrosos causada pela queda de 23,9 por cento observada no preço médio em reais realizado nas vendas de níquel e pela redução do volume vendido desse metal em 6,9 por cento", informou a companhia.

No quarto trimestre a receita da Vale atingiu 15,5 bilhões de reais, contra 16,7 bilhões de reais há um ano, justificada pelo impacto negativo da valorização do real frente ao dólar, de 1,846 bilhão de reais, e da perda com a variação nos preços dos metais de 135 milhões de reais.

Pelo critério contábil norte-americano (USGAP), a Vale lucrou 2,6 bilhões de dólares no quarto trimestre de 2007, contra 1,6 bilhão de dólares há um ano. Estimativa média de analistas ouvidos pela Reuters apontava para lucro de 2,3 bilhões de dólares.

Por esse mesmo critério, o Ebitda da empresa foi de 3,5 bilhões de dólares no quarto trimestre, ante 2,6 bilhões de dólares no mesmo período de 2006. Analistas previam em média Ebitda de 3,9 bilhões de dólares.

ANO RECORDE

Primeiro ano em que a mineradora canadense de níquel Inco, adquirida em 2006, aparece totalmente consolidada no balanço da Vale, 2007 registrou vários recordes para a companhia além do lucro de 20 bilhões de reais. A receita anual de 66,4 bilhões de reais também é a maior da história da empresa e 42,1 por cento superior a 2006. Somente a Inco contribuiu com 17,2 bilhões de reais na receita.

Segundo a Vale, isso foi possível devido aos recordes de vendas de minério de ferro e pelotas, somando 291 milhões de toneladas métricas, além de embarques recordes de níquel (268 mil toneladas métricas), de cobre (300 mil toneladas métricas), alumina (3,253 milhões de toneladas métricas) e alumínio primário (562 mil toneladas métricas).

As exportações da empresa, também recordes, totalizaram 12,5 bilhões de dólares, alta de 29,4 por cento em relação ao ano anterior. A Vale contribuiu com 28,8 por cento do superávit da balança comercial brasileira no ano passado.

A China manteve seu posto de maior compradora individual da Vale, participando com 17,5 por cento da receita total da companhia. A compra de minério e pelotas pela China em 2007 totalizou 96,2 milhões de toneladas, bem próximo às 100 milhões de toneladas previstas pela Vale.

Depois da China o maior comprador foi o Brasil, com 14,6 por cento da receita, e o Japão, com 11,3 por cento do total.

DÍVIDA

Em plena negociação para compra da anglo-suiça Xstrata, por um valor estimado pelo mercado em 90 bilhões de dólares, a Vale fecha 2007 com dívida 3,551 bilhões de dólares menor do que em 2006, totalizando 19 bilhões de dólares, inflada pela compra da Inco em 2006. Segundo fontes de mercado, para a compra da Xstrata a Vale teria já aprovado um empréstimo de 50 bilhões de dólares com um pool de bancos.

"Os indicadores de endividamento revelam sensível melhoria, evidenciando um perfil de baixo risco", afirmou a Vale no comunicado.

Segundo a empresa, o custo médio da dívida (antes do imposto de renda) foi de 6,14 por cento em dezembro de 2007, diminuindo em 23 pontos base em relação ao nível registrado no final do ano anterior.

Para 2008, a Vale declarou enxergar um mercado bastante aquecido, principalmente para o minério de ferro, produto responsável por cerca de 40 por cento da receita e que obteve ajuste este mês de até 71 por cento, o que garante à Vale receita 10 bilhões de dólares maior este ano contra 2007.

Edição de Eduardo Simões

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