Congresso boliviano convoca referendos sobre nova Constituição

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 22:15 BRT
 

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - O Congresso boliviano convocou na quinta-feira, em uma polêmica sessão dominada por governistas, dois referendos para o dia 4 de maio para aprovar a nova Constituição "plurinacional" prometida pelo presidente Evo Morales.

A convocação foi aprovada sem muitos debates em uma sessão de menos de uma hora, enquanto milhares de camponeses e mineradores mantinham um duro "cerco" em torno do palácio legislativo exigindo justamente a convocação dos referendos.

O Congresso decidiu também desautorizar os referendos sobre autonomias regionais, o primeiro deles marcado para 4 de maio. Esses referendos têm o apoio de quatro governadores das nove províncias do país. "Estas são as leis pedidas pelo povo, vamos sair do palácio legislativo para lhes dar a boa notícia", disse o deputado governista Gustavo Torrico, em meio a barulhenta comemoração dos parlamentares governistas que ofuscava a vaia dada pelos oposicionistas.

As leis, que entrarão em vigor após a promulgação de Morales, foram aprovadas por mais de dois terços dos parlamentares presentes, segundo informações dadas por um senador.

"Estamos apostando na unidade nacional, pedimos aos irmãos de Santa Cruz que trabalhemos pela unidade, essas leis são para serem comemoradas", disse a uma emissora de televisão após o término da sessão o senador governista Ricardo Díaz.

Os ativistas dos chamados "movimentos sociais" que apóiam Morales, concentrados desde a terça-feira em frente ao Congresso, impuseram um "cerco total" horas depois da suspensão de um encontro entre governistas e oposicionistas para tentar chegar a um acordo.

O "cerco" na Plaza Murillo, em frente a qual também está localizado o presidencial Palácio Quemado, transformou-se numa barulhenta comemoração a qual se somaram os parlamentares governistas.

O principal partido de oposição, o Podemos, denunciou falta de garantias para que seus parlamentares entrassem no palácio legislativo e afirmou que a sessão foi um "atropelo da democracia" que impossibilitará um acordo nacional.