Pouca clareza sobre fundo soberano no Brasil provoca ceticismo

quarta-feira, 28 de novembro de 2007 19:25 BRST
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - Investidores aguardam com ansiedade informações sobre o funcionamento de um fundo soberano no Brasil, cuja criação foi anunciada pelo governo sem detalhes.

A falta de clareza tem gerado desconforto entre economistas e até mesmo em algumas alas da equipe econômica, que não consideram o momento adequado para a discussão do assunto, dado o ambiente externo turbulento.

"Em períodos de crescente aversão ao risco (por causa da crise global de crédito), a criação de um fundo soberano mal concebido não deve fazer o Brasil se destacar como um ativo atrativo no mundo dos mercados emergentes", avaliou Nuno Câmara, analista do banco Dresdner, em relatório desta semana.

Câmara classifica o projeto do fundo como "uma má idéia do início ao fim" para o Brasil.

A principal preocupação de economistas com a iniciativa brasileira diz respeito ao custo do fundo para as contas públicas.

No restante do mundo, os fundos soberanos foram adotados por países com superávits nominais expressivos, especialmente por economias asiáticas em expansão acelerada e por grandes produtores de petróleo. O objetivo é ter um instrumento complementar às reservas internacionais que possa, em alguns casos, servir como uma poupança para gerações futuras.

O Brasil, ao contrário, tem déficit nominal em suas contas e, portanto, a capitalização do fundo exigiria um aumento de seu endividamento --já que Tesouro ou Banco Central teriam que vender títulos públicos para enxugar do mercado os reais usados na compra de moeda estrangeira. É o que já acontece para alimentar as reservas.

"O Brasil não está registrando superávits fiscais, não tem (a reserva de petróleo) Tupi em funcionamento ainda. Então, a questão é como você capitaliza esse fundo", apontou a analista de crédito da agência de classificação de risco Standard & Poor's Lisa Schineller, em Nova York.   Continuação...