Mercado do luxo passa ileso por crise global de crédito

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 10:25 BRST
 

Por Amie Ferris-Rotman

MOSCOU (Reuters) - Executivos da indústria de bens de luxo e da indústria bancária afirmaram a investidores reunidos em conferência em Moscou que apesar da crise de hipotecas de risco dos Estados Unidos afetar o gasto mundial, o setor de artigos luxuosos continua vivendo acelerado crescimento junto com os mercados emergentes.

A analista da área no JPMorgan, Melanie Floquet, afirmou que Brasil, Rússia, Índia e China (grupo conhecido como BRIC) representam mais de 20 por cento das vendas de produtos de luxo nos mercados emergentes.

A China é o maior país consumidor, com 6 a 7 por cento das vendas mundiais. O Oriente Médio aparece em seguida consumindo 5 por cento e a Rússia 4 por cento, afirmou ela.

"A quantidade de indivíduos ultra-ricos nos mercados emergentes está crescendo e há enorme interesse por parte de empresas de private equity", disse o diretor da área de pesquisa da indústria de luxo no Lehman Brothers, Roberto Vedovotto.

Os Estados Unidos continuam na primeira posição entre os países que mais consomem produtos de luxo, apesar da crise de crédito. "Os EUA até agora não mostraram desaceleração (nas vendas de bens luxosos) e representam agora 16 por cento das vendas mundiais", disse Floquet.

O volume de recursos a ser gasto em produtos sofisticados deve dobrar ao longo dos próximos cinco anos para 300 bilhões de euros (444 bilhões de dólares), afirmou Bernard Arnault, presidente do maior conglomerado de luxo do mundo, o LVMH, durante a conferência Supreme Luxury, promovida pelo International Herald Tribune.

"Os negócios de luxo estão no centro da globalização, nós temos apelo mundial, estamos desenvolvendo diferentes estratégias de negócios para diferentes regiões", afirmou Arnault, que também é o homem mais rico da França.