29 de Fevereiro de 2008 / às 16:12 / em 10 anos

VALE chega a limite em negociação com Xstrata--Agnelli

Por Andrei Khalip e Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou nesta sexta-feira que a empresa chegou ao limite nas negociações com a Xstrata, e que tudo depende agora da trading Glencore, grande acionista da empresa anglo-suíça.

Ele informou, em webcast sobre os resultados da companhia no quarto trimestre, que a Vale não está com pressa para fazer a aquisição e que avalia outras opções. A aquisição poderia alcançar 90 bilhões de dólares, uma das maiores do mundo.

“É muito difícil superar algumas questões, mas nós estamos tentando limpar os obstáculos. Nós temos energia bastante para continuar discutindo se eles quiserem... essa não é a nossa única opção, continuamos analisando outras opções”, disse Agnelli.

“Chegamos ao nosso limite... dependemos da posição da Glencore para continuar construindo esse acordo”, complementou.

Agnelli confirmou que uma disputa sobre direitos de comercialização detidos pela Glencore, que possui uma participação de 35 por cento na Xstrata, é o maior obstáculo ao acordo. A Vale já garantiu o financiamento necessário e resolveu questões relacionadas à estrutura do pagamento, disse ele.

“O problema é que há alguns princípios que não queremos abandonar. Comercialização é algo muito importante para nós; gostamos de um relacionamento próximo, forte, com nossos clientes”, disse Agnelli.

Em entrevista a jornalistas após a webcast, Agnelli informou que não vai abrir mão das negociações do minério de ferro. “A comercialização do minério não foi pedida, não tem ninguém que faça (negociação de minério) melhor do que a Vale”, afirmou.

Uma fonte próxima à situação já tinha dito que os dois lados chegaram a um impasse sobre as exigências da Glencore para uma expansão dos direitos de comercialização na empresa resultante da aquisição.

A Glencore tem uma série de contratos lucrativos a longo prazo para vender uma grande fatia da produção de mineração da Xstrata e quer um maior alcance se a Vale comprar a empresa, ele completou.

“Podemos acomodar as coisas, podemos nos comprometer com alguma coisa, mas há princípios que não vamos abandonar. Não é uma tarefa fácil, é muito complexo. Mas sejamos otimistas”, disse Agnelli.

O executivo se recusou a comentar o valor que a Vale poderia pagar pela empresa, afirmando que das especulações sobre uma possível oferta, “nenhuma acertou o alvo”.

Agnelli fez questão de ressaltar que a prioridade da Vale continua sendo o crescimento orgânico, ou seja, pelo desenvolvimento de projetos próprios, e que a Xstrata não é o único ativo de mineração que está sendo avaliado no momento.

“Estamos sempre buscando combinações estratégicas e temos olhado sim, temos conversado sim (com outras empresas), são negociações de longo prazo...mas a nossa prioridade é o crescimento orgânico”, disse, sem especificar quais seriam os outros ativos.

A Vale planeja investir 59 bilhões de dólares nos próximos cinco anos em projetos dentro e fora do Brasil em vários segmentos, que incluem expansão de produção, da área de logística e de energia, dentro e fora do Brasil.

A empresa no entanto cresceu expressivamente nos últimos anos por meio de aquisições, 18 ao todo desde 2000, nas quais investiu 24,5 bilhões de dólares. A maior compra de todas, a canadense de níquel Inco, adquirida em 2006 por 17,6 bilhões de dólares, será paga pelo próprio faturamento da companhia em 18 a 20 meses, informou Agnelli.

“Acho que foi a melhor negociação dos últimos tempos na indústria de mineração, assim que nós compramos, o níquel subiu”, afirmou Agnelli. Com a compra, a Vale se tornou a segunda maior produtora de níquel do mundo.

Assim como o níquel da Inco, a Xstrata complementaria a Vale com carvão e cobre, entre outros, minerais não-ferrosos que estão no foco de interesse da mineradora brasileira.

“A combinação de ativos entre Vale e Xstrata é muito positiva, é muito forte, teria uma empresa mineradora com capacidade de investimentos muito grande”, disse.

“A ‘expertise’ da Glencore, que também é uma empresa extraordinária, e é uma das maiores ‘trading companies’ da área de petróleo, da área de carvão, isso tudo daria uma equação bastante forte”, completou o executivo.

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