29 de Novembro de 2007 / às 18:52 / 10 anos atrás

Dólar anula queda no fim do dia por juros e piora externa

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A instabilidade no mercado futuro de juros e a piora das bolsas em Nova York contaminaram o dólar no final da sessão desta quinta-feira. A moeda norte-americana fechou estável após cair na maior parte do dia.

O dólar terminou a 1,794 real. No mês, a divisa acumula alta de 3,22 por cento, após pico de mais de 7 por cento na terça-feira.

Os contratos de juros mais negociados na Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) subiram cerca de 1 por cento em um dia relativamente tranquilo em outros mercados.

Sem um motivo claro para a volatilidade, o dólar zerou a queda na última meia hora de sessão.

"Você vê um ativo descolando muito (dos demais) e, por mais que tenha um fluxo de entrada no dólar... quem está operando fica com medo", disse Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora.

Operadores citaram a apreensão com a possibilidade de que a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) não seja aprovada e também rumores de uma possível aceleração da inflação. "(O mercado de juros) já vem preocupado há alguns dias", disse Schoemberger.

Os juros futuros também repercutiram a venda da oferta total de Letras do Tesouro Nacional (LTN) em um leilão, devido ao interesse de investidores em fazer hedge contra a oscilação desses papéis.

Fabio Pfaender, gerente de câmbio da Alpes Corretora, atribuiu parte da instabilidade dos juros ao mercado externo. Os principais índices de Wall Street exibiam queda no final da tarde.

Mais cedo, o dólar foi influenciado pela entrada de recursos.

O fluxo cambial positivo, que tem sido sustentado pela balança comercial, foi engrossado pelos estrangeiros interessados em participar da oferta pública inicial de ações (IPO) da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

O mercado espera que a operação, que pode movimentar até 6 bilhões de reais, seja dominada pelos investidores internacionais da mesma forma como ocorreu com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em outubro.

Schoemberger acrescentou que a oferta de dólares foi reforçada por lotes comprados por bancos recentemente.

"Quando o mercado foi em 1,87, 1,86 (real por dólar, na terça-feira), houve muitas entradas e muito câmbio de exportação sendo fechado. Os bancos ficaram com muitos dólares nesses níveis", disse, explicando que a cotação mais alta fez com que exportadores efetivassem as operações a uma taxa mais favorável.

Edição de Daniela Machado

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